As razões que levam o HSBC a não ver alívio para a bolsa até 2012

Relatório do banco sobre as ações brasileiras pinta um cenário de incertezas criado pelo juro e inflação em alta

São Paulo – O mercado de ações brasileiro pode não encontrar um alívio até 2012, prevê a equipe de análise do banco HSBC em relatório publicado nesta semana. Os analistas estão preocupados com a manutenção da taxa de juro em 12,5% ao ano por um tempo prologando com a persistência dos preços em níveis elevados.

“Mantemos nossa postura geral de cautela sobre as ações brasileiras, pois não prevemos a chegada de um alívio pelo lado das taxas de juros e continuamos receosos quanto à trajetória da inflação para o final deste ano e em 2012”, mostra a análise assinada por Alexandre Gartner e Francisco Vanzolini.

– Sem sinal de redução de juros até 2013

O HSBC espera que a inflação chegue ao pico ligeiramente abaixo de 7% em agosto e depois siga em direção para 5,4% em 2012. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de junho ficou em 6,71% em 12 meses.

“Está claro que a inflação será persistente, pressionada pelo mercado de trabalho em aperto recorde, e o crescimento contido por investimentos abaixo dos pares (o que consideramos insustentável); não vemos espaço para um afrouxamento monetário até 2013”, dizem os analistas.

A expectativa do mercado, medida pelo relatório Focus do Banco Central, aponta para um IPCA em 6,31% ao final de 2011 e de 5,2% em 2012. Para a taxa Selic, a expectativa é de que encerre o ano a 12,75% e persista em tal patamar no ano seguinte. Vale lembrar que a coleta de informações foi realizada antes da última reunião do BC, que indicou o fim do apeto monetário.

– Cenário de alta de juros limita o retorno das ações

Segundo o banco, as avaliações dos analistas para as ações “simplesmente incorporaram uma perspectiva de taxa de juros mais alta por mais tempo”. Gartner e Vanzolini lembram que o Brasil é negociado em aproximadamente 9 vezes o índice preço sobre lucro (P/L) de 12 meses à frente, segundo o consenso. O múltiplo representa um desconto de 14% para os emergentes globais e para a sua própria média histórica.


“É justo afirmar que a perspectiva de lucro por ação é bastante desanimadora, com crescimento de 9% nos próximos 12 meses (um nível raramente visto) e que os rebaixamentos chegaram a um ponto final. Porém, cremos que as taxas de juros estabelecerão um teto para a avaliação das ações até haver visibilidade quanto a um ciclo de afrouxamento monetário”, explicam.

– Mudança nas recomendações

Após um forte desempenho das ações consideradas defensivas, o HSBC aposta que o momento atual pode ser propício para adicionar algum risco à carteira. O banco rebaixou a recomendação para Telecomunicações e Serviços Públicos de neutra para underweight (alocação abaixo da média do mercado). O setor de Concessões, “que representa defesa contra inflação”, passou de overweight (alocação acima da média do mercado) para underweight.

“Alteramos nossa lista recomendada, para focar em histórias bottom-up [companhias que não dependem do setor ou das condições econômicas] as quais acreditamos estarem excessivamente descontadas neste momento”, explicam os analistas. A lista recomendada de ações para o terceiro trimestre de 2011 tem Itaú (ITUB4), Lojas Renner (LREN3), Hering (HGTX3), OGX (OGXP3), Brasil Foods (BRFS3), Odontoprev (ODPV3), São Martinho (SMTO3) e SLC Agrícola (SLCE3).

“Esperamos que esses nomes tenham desempenho superior uma vez que o mercado absorva totalmente o cenário de taxas mais altas ao longo dos próximos meses, e que essas empresas continuem a gerar fortes resultados”, concluem.