As 10 ações que mais subiram e caíram no trimestre

Hypermarcas e Hering sobem acima do índice enquanto Eletrobras e B2W estão entre as poucas quedas

São Paulo – A última semana de março foi de queda para o Ibovespa, que terminou com desvalorização de 2%. No mês, o índice também registrou baixa, de 2%. 

Apesar disso, o Ibovespa continua positivo no ano e terminou o primeiro trimestre de 2012 com alta de 13,7%. Boa parte das ações do índice subiu acima da valorização do Ibovespa e apenas dez papéis terminaram o trimestre com queda. Confira as maiores altas e maiores quedas do Ibovespa no início deste ano.

Varejo e consumo dominam ponta de alta

O destaque entre as valorizações ficou com os papéis da Hypermarcas (HYPE3), que subiram 51,6%. Logo em seguida, vieram as ações da Hering (HGTX3), com alta de 45,3%. O cenário econômico de aumento de renda e a tendência de queda na Selic influenciam a valorização destes setores.

Aos analisar a alta desses papéis, muito acima do Ibovespa, o analista Cauê Pinheiro, afirmou que o ano de 2011 foi muito ruim para a Hypermarcas, que passou por uma série de ajustes em seus negócios. Segundo ele, o mercado espera agora que esses ajustes gerem resultados e reflete essa expectativa no preço dos papéis.

O Bank of America Merrill Lynch é outro que, apesar da recente valorização de Hypermarcas, continua apostando no potencial do papel, mesmo com o prejuízo que a empresa obteve no ano de 2011. Em relatório divulgado no meio de março, o banco manteve a recomendação de “compra” para as ações, com preço estimado em 18 reais.

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Código Empresa Preço R$ Var. % Código Empresa Preço R$ Var. %
HYPE3 Hypermarcas 12,85 51,2 ELET6 Eletrobras 23,71 -11,69
HGTX3 Hering 47,15 45,26 BRTO4 Brasil Telecom 9,77 -10,2
MMXM3 MMX 9,08 36,13 LIGT3 Light 25,95 -9,9
MRFG3 Marfrig 11,5 34,6 DASA3 Dasa 14,01 -9,61
VAGR3 Vanguarda Agro 0,43 34,4 BTOW3 B2W 8,3 -7,78

No documento distribuído para clientes, os analistas Robert Ford e Marcelo Santos apontaram que esperavam uma reação negativa do mercado aos resultados, mas também apostaram que os ajustes promovidos pelas empresas em seus negócios estão completos e, com a normalização dos estoques e um crescimento modesto já no início de 2012, as ações reagiriam bem. 

Mas nem todos estão confiantes numa alta muito mais ampla. Após a divulgação de resultados da Hypermarcas, a Fator Corretora rebaixou a recomendação para as ações da empresa, que passou de “compra” para “manutenção”. O preço-alvo para o papel foi mantido em 12,10 reais, potencial de valorização de 5,67%. “Entendemos que o risco relacionado ao investimento na companhia tornou-se assimétrico após a valorização significativa das ações em 2012”, afirmou o analista Iago Whately em relatório enviado para clientes.


O trimestre foi cheio de notícias para a Hypermarcas. Além de ter divulgado uma queda de 41% em seu lucro líquido do quarto trimestre de 2011, a empresa anunciou também uma joint-venture com a Bionovis, de produtos biotecnológicos. O investimento previsto no negócio é de 500 milhões de reais em cinco anos. 

Logo abaixo da companhia e muito acima do Ibovespa, estão os papéis da Hering, que já tiveram forte alta em 2011 e repetem o feito no início de 2012. O processo de expansão da rede, inclusive com a unidade Hering Kids (de vestuário para crianças), é um fator extra de impulso ao papel.

Num prazo ainda mais longo, a valorização dos papéis supera 300%. Desde sua oferta primária e secundária de ações, em 2007, as ações da companhia subiram 324% na bolsa. A corretora Concórdia aposta que ainda há espaço para os papéis subirem e, num relatório elaborado neste mês, elevou a recomendação de manutenção para compra, com preço-alvo é de 53,77 reais.

Eletrobras e B2W dividem destaque de queda

O destaque de baixa ficou com as ações da Eletrobras, que caiu 11,7%. Em meados de março, o papel já se destacava entre as principais baixas semanais. Na ocasião, o analista Ricardo Corrêa, da corretora Ativa, avaliou que o pedido de recuperação judicial da Celpa, do Grupo Rede Energia, só aumentou uma desconfiança que o mercado já tinha em relação aos papéis da empresa.

Se a Eletrobras resgatasse mais uma empresa, como o mercado desconfiava, não seria a primeira vez, conforme lembrou o analista. No fim do ano passado, a Eletrobras adquiriu 51% Companhia de Eletricidade de Goiás (Celg), que passava por dificuldades financeiras graves.

A B2W foi outro papel que sentiu o peso da queda no trimestre (-7,8%). Embora a companhia também seja do setor de varejo, no qual figuram as maiores altas da bolsa no início desse ano, ela foi muito prejudicada por problemas relacionados a suas entregas.
Durante março, a empresa enfrentou uma decisão favorável à Fundação Procon-SP, na qual deveria ser obrigada a suspender as atividades de comércio eletrônico dos sites de seu grupo em todo Estado de São Paulo, após problemas no atendimento aos consumidores.

A decisão logo foi suspensa, mas os papéis não subiram após isso. A companhia também divulgou no início de março seus resultados do quarto trimestre de 2011, quando informou que um prejuízo duas vezes maior que o registrado um ano antes, ainda refletindo problemas com logística e prazos de entrega.

Logo após a divulgação, o Morgan Stanley decidiu manter a recomendação de “underweight” (alocação sugerida abaixo da média do mercado) para os papéis da empresa de varejo. “Continuamos com a recomendação pois acreditamos que a recuperação das margens é pouco provável”, afirmou o analista Lore Serra em relatório distribuído para clientes na ocasião.