Após queda em julho, dólar depende do cenário político em agosto

A condenação em primeira instância de Lula no caso do tríplex foi o fator surpresa que fez o dólar ter a maior desvalorização diária do mês

O dólar apresentou, em julho, tendência de queda em relação ao real.

A condenação em primeira instância, em 12 de julho, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do tríplex foi o fator surpresa que fez o dólar ter a maior desvalorização diária do mês, de 1,40%, cotado a R$ 3,2075, afirma Fernando Pavani, presidente da plataforma de câmbio Remessa Online.

A moeda terminou o mês em R$ 3,12 para venda, em queda de 5,88% em julho, 4,09% no acumulado do ano e 3,73% em 12 meses.

Para este mês, o especialista diz que o comportamento da moeda vai depender em grande parte do cenário político. Os olhos se voltam para a retomada das atividades no Congresso hoje e, já amanhã, a Câmara vota a denúncia de corrupção contra o presidente Michel Temer.

Caso o Congresso dê aval para que o presidente seja julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Temer terá de responder por crimes de corrupção e obstrução da Justiça – revelados pela delação de executivos da JBS – e será afastado do cargo.

A possibilidade da saída de Temer não pressionou o câmbio no início do mês, uma vez que seu sucessor deve ser o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que tem sinalizado com uma política econômica parecida com a do atual presidente. O mercado acredita que a reforma da Previdência será aprovada na Câmara em agosto.

Pavani observa que a reforma da Previdência é um desafio grande e, se apenas a idade mínima para aposentadoria for aprovada, já haverá um alívio considerável nas contas públicas.

Além disso, analistas também esperam que a equipe econômica seja mantida caso haja uma troca na Presidência da República, o que confere certo alívio aos investidores no mercado doméstico.

Lula e a eleição de 2018

Ainda que a decisão do juiz Sérgio Moro não impeça o ex-presidente Lula de concorrer nas eleições de 2018, a expectativa de uma condenação em segunda instância anima os investidores, que teme a volta de uma política populista e de aumento de gastos do governo.

Além da condenação de Lula, o mercado de câmbio se voltou a partir da segunda quinzena de julho para o quadro fiscal brasileiro.

O dólar, que iniciou julho a R$ 3,3051, atingiu a menor cotação de fechamento no dia 20 (R$ 3,1268, queda de 5,61% no mês) e teve leve recuperação nos dias seguintes, voltando a cair no fim do mês.

A percepção de que a equipe econômica está se esforçando para cumprir a meta fiscal de 2017 dá certa tranquilidade ao investidor, avalia Pavani, o que reduz a pressão sobre a moeda americana.

A aprovação da reforma trabalhista no Senado pelo placar de 50 votos a 26 também trouxe otimismo quanto à aprovação da reforma da Previdência em agosto.

A vitória do governo com folga na reforma trabalhista surpreendeu positivamente o mercado e mostrou um poder de articulação maior do que o esperado do presidente.

No entanto, ainda que o governo tenha anunciado aumento de impostos sobre a gasolina e venha tentando tirar receitas de várias áreas – inclusive tentando vetar reajustes de salário de servidores públicos -, dificilmente conseguirá cumprir a meta estimada para este ano.

Este conteúdo foi publicado originalmente no site da Arena do Pavini.