Após mais atuações do BC, dólar sobe 1,20% ante o real

Segundo profissionais do mercado, a alta veio com prováveis operações de compra de dólares feitas por investidores

São Paulo – O dólar encerrou esta quarta-feira com alta de mais de 1 por cento, revertendo as perdas acumuladas no ano até então. Segundo profissionais do mercado, o salto veio com prováveis operações de compra de dólares feitas por investidores, além da atuação do Banco Central, que tem feito dois leilões de dólares à vista por sessão.

A moeda norte-americana subiu 1,20 por cento, cotada a 1,8797 real, a maior cotação desde o dia 25 de novembro do ano passado, quando fechou em 1,8864 real. Também foi a maior alta percentual vista desde o dia 9 de março, quando a moeda subiu 1,31 por cento.

Com isso, o dólar passou a registrar valorização acumulada no ano de 0,60 por cento; na véspera, ele ainda registrava perdas de 0,59 por cento. A moeda norte-americana chegou a fechar a 1,6988 real no dia 28 de fevereiro, o menor nível do ano e, com o fechamento desta quarta-feira, já acumula ganhos de 10,65 por cento desde então.

Para um operador de câmbio que prefere não ser identificado, o movimento de alta pode ser explicado pela atuação mais constante do BC. “Acredito que é pela atuação forte do Banco Central comprando moeda, não há aparentemente nenhuma influência externa”, disse.

Desde a quinta-feira passada a autoridade monetária passou a fazer dois leilões de compra de dólares no mercado à vista por dia e, neste pregão, não foi diferente: o BC atuou mesmo com a moeda norte-americana em alta, fazendo leilões à tarde com taxas de corte de 1,8703 e 1,8800.

Além disso, o governo também ajudou a puxar a cotação do dólar nos últimos meses, com medidas tributárias mais pesadas em captações externas. A preocupação é de não deixar a moeda norte-americana se enfraquecer muito frente ao real para não afetar a competitividade dos produtos nacionais no mercado externo.

Para o economista da Link Investimentos, Thiago Carlos, o dia também pode ter sido influenciado por algumas operações específicas de compras de dólares no mercado, que acabaram puxando a cotação ainda mais para cima.

Ele acrescentou que as ações mais intensas do BC no mercado ainda não são suficientes para perceber se a autoridade monetária já tem um novo patamar para o dólar.

“Pode ser que tenha um novo piso de atuação do BC, vamos ver nos próximos dias, mas tem um fluxo de entrada ainda. Podem ocorrer mais entradas de dólares com IPOs (abertura de capital) de empresas e o BC pode estar antecipando essas compras”, afirmou ainda o economista.


Anteriormente, o mercado chegou a acreditar que o BC atuava quando o dólar ameaçava a cair abaixo de 1,80 real, patamar que já ficou para traz e não é visto desde meados de março.

O economista citou ainda que o fluxo cambial, divulgado pelo BC nesta quarta-feira, mostrou um saldo negativo na conta financeira -por onde passam os investimentos externos em carteira e produtivos, entre outros-, mas entradas de dólares pelo lado comercial.

“Ainda está ocorrendo entrada pelo segmento comercial também, enquanto a saída pelo lado financeiro tem sido constante. Mas compras do BC estão mais que compensando essa entrada”, disse.

O fluxo cambial ficou negativo em 403 milhões de dólares na semana passada. No mês, até o dia 13, o fluxo acumulado ficou negativo em 800 milhões de dólares.

O resultado da semana passada refletiu um déficit na conta financeira de 2,178 bilhões de dólares, já que a conta comercial teve superávit de 1,774 bilhão de dólares.

No exterior, o dólar se valorizou ante outra moedas, mas não de forma tão intensa. Ante uma cesta de divisas, a moeda norte-americana tinha leve alta de 0,11 por cento.