Aluguel de ações da Eletrobras quadruplica com crise

Segundo o diretor de uma grande corretora de São Paulo, o rendimento médio do aluguel das ações da Eletrobras “sempre rondou a casa de 1,0% a 1,50% ao ano”

São Paulo – A taxa paga pelo aluguel de ações preferenciais da Eletrobras quadruplicou desde que a novela da renovação das concessões do setor elétrico começou há dois meses.

Segundo o diretor de uma grande corretora de São Paulo, o rendimento médio do aluguel das ações da Eletrobras “sempre rondou a casa de 1,0% a 1,50% ao ano”. Agora, de acordo com ele, essa taxa está em torno dos 4% ao ano.

Além disso, de acordo com ele, ainda existe “uma remota probabilidade” de encontrar ações ordinárias da companhia para alugar. Já a preferencial “não tem mais nem para atender desejo de gestante”.

Aposta na queda

Quando o rendimento pago pelo aluguel de uma ação sobe, é sinal de que a demanda por aluga-los aumentou. E isso é um indício de que o mercado está apostando na queda dessa ação.

Quem toma ações emprestadas a uma certa taxa geralmente faz isso para vendê-las no mercado, recomprando-as depois, por um preço ainda mais baixo, para devolver ao seu dono original.

O lucro que ele embolsa está justamente nessa diferença. Já o dono da ação ganha justamente com a taxa paga por quem a alugou. No caso da Eletrobras, a taxa está em torno de 4% sobre o preço fixado no contrato de aluguel.

Outra vantagem para quem oferece suas ações para aluguel é que a pessoa continua tendo direito a receber os dividendos, mesmo não tendo a posse das ações. Para a Eletrobras, não é lá grande vantagem, já que a geração de caixa da empresa deve ir a quase zero no ano que vem, minguando o pagamento de dividendos.

Às 15h55, na Bovespa, as ações preferenciais série B (PNB, sem voto) da Eletrobras estavam em queda de 18,65% e as ordinárias (ON, com voto), de 15,86%. Se mantido esse percentual de baixa, será a maior queda da ação PNB da Eletrobras desde 1990, segundo dados da Economática.