AIE vê risco no preço do petróleo e sugere liberar estoques

Por Neil Chatterjee e Alfian

JACARTA, 22 de fevereiro (Reuters) – A alta no preço do
petróleo representa um perigo para a recuperação econômica
mundial, e os países industrializados estão preparados para
liberar seus estoques estratégicos a fim de compensar a
eventual perturbação no fornecimento do Oriente Médio, disse
nesta terça-feira o economista-chefe da Agência Internacional
de Energia (AIE).

O petróleo bruto chegou nesta terça-feira à sua maior
cotação nos EUA em dois anos e meio, refletindo a violência
política na Líbia, que levou uma empresa de lá a suspender a
produção de 100 mil barris diários (de um total de 1,6 milhão
de barris da produção líbia).

Os investidores temem também que a onda de protestos no
Oriente Médio e Norte da África chegue a outros países
produtores de petróleo, especialmente a Arábia Saudita.

“Os preços do petróleo são um sério risco para a
recuperação econômica mundial”, disse a jornalistas Fatih
Birol, que participa nesta terça-feira de uma conferência
energética na Indonésia.

A AIE dá consultoria em políticas energéticas a 28 nações
industrializadas.

“A recuperação econômica mundial é muito frágil –
especialmente em países da OCDE”, disse Birol, referindo-se a
um grupo de países desenvolvidos. Ele acrescentou que, acima de
90 dólares por barril, o produto entra numa “zona de perigo”
para a recuperação, e que isso é nocivo tanto para nações
consumidoras quanto para as produtoras.

Nesta terça-feira, o petróleo tipo Brent é comercializado a
quase 108 dólares, enquanto o petróleo dos EUA sai acima de 94
dólares por barril.

Birol disse que a alta pode prejudicar as balanças
comerciais dos países industrializados, provocar inflação e
causar uma pressão sobre os Bancos Centrais para ajustarem as
taxas de juros.

Se o petróleo chegar a uma média de 100 dólares por barril,
o Japão, por exemplo, irá gastar 3 por cento do seu PIB só com
a importação do produto, acrescentou Birol.

A AIE tem autoridade para pedir a seus países membros –
todos eles integrantes da OCDE – que liberem seus estoques
estratégicos de petróleo em caso de perturbação no
abastecimento.

Isso é algo que raramente acontece. A última vez foi em
2005, quando o furacão Katrina paralisou a produção de petróleo
dos EUA no golfo do México.