Ágora derruba para 70.000 pontos sua previsão para o Ibovespa em 2008

Instabilidade no cenário internacional levou à redução das estimativas, mas para corretora, mercado deve se recuperar em até 18 meses

Três meses após o Brasil conquistar o grau de investimento, o mercado começa a rever suas estimativas para o Ibovespa neste ano. O tão sonhado título, que conferiu ao país a classificação de baixo risco para aplicações, não foi suficiente para blindar a bolsa brasileira das turbulências no mercado internacional. Desde 20 de maio, pico do Ibovespa em 2008 e 20 dias após a agência de classificação de risco Standard &amp; Poor´s elevar a nota do país, o índice já recuou 24%.</p>

A piora do cenário econômico mundial levou a corretora Ágora a divulgar nesta segunda-feira (25/8) um relatório destacando que “a racionalidade nos leva a considerar novas premissas para a precificação “para baixo” do Ibovespa para o final do ano”. Pelos cálculos da instituição, o indicador, que no último pregão fechou aos 55.850 pontos, não deve ultrapassar os 70.000 pontos em dezembro. O valor é inferior às previsões mais pessimistas para o indicador há três meses e representa uma perda de 5% em relação ao pico do Ibovespa neste ano.

O Portal EXAME consultou em maio 13 corretoras para saber qual seria o potencial de alta da Bolsa neste ano. A previsão mais conservadora, do Santander, apontava o Ibovespa aos 72.000 pontos, enquanto a mais otimista, do Credit Suisse, elevava o índice aos 86.000 pontos. Na ocasião, as estimativas da Ágora estavam em 82.000 pontos.

O que deu errado? “Nada, absolutamente nada! O mundo alçou um vôo menor em distância e altitude”, responde a corretora. A fuga de recursos dos países emergentes, o surto inflacionário mundial, a crise imobiliária nos Estados Unidos e as perdas do setor financeiro fragilizaram os mercados de capitais, mas, na opinião da Ágora isso deve ser passageiro. “Na readequação dos portfólios e após o grau de investimento a ser concedido pela Moody´s, os gestores internacionais de recursos, desde que sob um cenário de maior “normalidade e previsibilidade” não se furtarão de buscar oportunidade de investimento no Brasil. O timing previsto? Pode ser entre seis meses a 18 meses a contar de agora!”

A avaliação da corretora tem como fundamento a vantagem que as companhias brasileiras apresentam em relação a outras empresas do mundo: a capacidade de crescimento dos lucros e geração de caixa mesmo diante de forte instabilidade no mercado acionário. A margem de lucro antes de juros, imposto de renda, depreciação e amortização (Ebitda) das empresas brasileiras que constituem o Ibovespa é a segunda maior dentre uma amostra selecionada de dez países.

Mas essa vantagem não elimina os riscos. Ninguém sabe até onde vai a crise das hipotecas americanas e novas perdas ainda podem surgir. A inflação ainda é um problema para as economias de todo o mundo e não está claro de quanto será o desaquecimento global.

Se todas essas variáveis não evoluírem para o pior dos cenários, a Ágora acredita que em 2009 o Ibovespa poderá recuperar seu ritmo de valorização e chegar aos 82.602 pontos.