Ações não são rosquinhas, diz Goldman sobre papéis do Dunkin’ Donuts

Banco prevê que papéis da rede de franquias podem sofrer com o desaquecimento da economia dos Estados Unidos

São Paulo – As ações do Dunkin’ Brands Group, dono da rede de franquias americana Dunkin’ Donuts, não estão tão saborosas quanto as suas famosas rosquinhas, avaliou nesta terça-feira o banco de investimentos Goldman Sachs, que recomendou a venda dos papéis em início de cobertura.

Em relatório citado pela Bloomberg, o analista Michael Kelter previu que o fraco sentimento do consumidor nos Estados Unidos poderá afetar as vendas da companhia. Segundo ele, isso ocorrerá porque os negócios da Dunkin’ Donuts “são fortemente sensíveis ao cenário de incertezas“, justificou.

A notícia provocou uma forte queda nas ações da empresa no pregão desta terça-feira na Bolsa de Nova York. Os papéis chegaram a ser negociados com baixa de 5,70%, cotados a 25,46 dólares, após terem se valorizado 42,10% desde que a companhia abriu o capital e levantou 422,8 milhões de dólares em 27 de julho deste ano.

A avaliação do Goldman Sachs surpreende porque o banco trabalhou como um dos coordenadores do IPO. O banco, inclusive, esteve entre os que exerceram o direito de compra de um lote adicional de 3,3 milhões de papéis.

O plano de expansão da companhia inclui duplicar a quantidade de lojas nos Estados Unidos para 15 mil unidades durante os próximos 20 anos. Atualmente a empresa detém 6.800 franquias. O analista do Goldman Sachs estima que a rede será apenas capaz de criar somente 3.200 novas unidades, para um total de 10 mil.

Das rosquinhas para o café

Depois de décadas vendendo rosquinhas, a Dunkin’ Donuts enxergou nos cafés uma maneira de acelerar seu crescimento — a venda de cafés e bebidas afins representou 60% de suas receitas de 6 bilhões de dólares em 2010 e a levou à vice-liderança do mercado, atrás apenas da Starbucks.

A principal diferença entre a Dunkin’ Donuts e sua principal concorrente é que, enquanto a Starbucks se esforça para criar uma aura moderna e descolada, os executivos da Dunkin’ Donuts querem oferecer produtos que caibam no bolso da população de baixa renda.

“O café é um negócio com margens mais altas do que os doces, e a abordagem popular deve continuar impulsionando o crescimento da rede”, afirmou Joscelyn MacKay, analista sênior da consultoria de investimentos americana MorningStar, em entrevista para EXAME.

As mudanças no modelo de negócios da Dunkin’ intensificaram-se em 2006, quando um grupo de fundos de investimento, como o Carlyle e o Bain Capital, comprou o controle da rede.