Ações do setor elétrico despencam após corte de tarifas determinado pela Aneel

Cortes dos preços da energia da Cemig, Enersul, CPFL e Cemat vieram acima do esperado pelos analistas

As ações do setor elétrico apresentaram fortes perdas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nesta segunda-feira (7/4). O tombo refletiu o descontentamento dos investidores em relação às reduções tarifárias determinadas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a quatro empresas do setor.

Para a mineira Cemig, o corte médio foi de 12,24%. Anteriormente, a agência havia divulgado um corte preliminar de 9,72%. A distribuidora sul-matogrossense Enersul terá de baixar o preço médio em 7,18%. À Cemat, de Mato Grosso, foi determinada redução de 8,08%; e para a paulista CPFL, a baixa será de 17,21%, ante a expectativa de 14%.

Entre as empresas diretamente afetadas pela medida, a maior queda, 4,46%, ficou para as preferenciais da Cemig (CMIG4), cotadas a 32,10 reais. As ordinárias da CPFL (CPFE3) recuaram 0,70%, para 39,72 reais. Para a Cemat, o impacto foi nulo. Tanto os papéis preferenciais (CMGR4), quanto ordinários (CMGR4) não apresentaram variação durante o dia. A Enersul não é listada no mercado à vista da Bovespa. Nesta segunda-feira, o Ibovespa, principal indicador da bolsa paulista, fechou em queda de 0,42%, após cinco altas consecutivas, e ficou em 64.175 pontos.

No caso da Cemig, a Aneel recorreu à redução da base de remuneração regulatória (BRR) da companhia para justificar o corte de tarifas. O BRR representa os ativos que a empresa emprega para cumprir suas atividades. A BRR é uma das referências para que a Aneel e a companhia calculem o retorno esperado do negócio. A agência decidiu cortar a BRR da Cemig de 5 bilhões de reais para 4,3 bilhões de reais.

Na prática, significa que a Aneel acredita que a Cemig deve ser remunerada por ativos 14% menores. A decisão foi mal recebida pelo mercado. “Podemos dizer que a revisão da BRR da Cemig representa para a empresa uma queda perene em sua receita autorizada pelo regulador, na medida em que esta base é a utilizada para o cálculo da remuneração dos investimentos da distribuidora e conseqüentemente para o cálculo das futuras revisões tarifárias”, afirma um relatório da corretora Ativa.

A perda de geração de caixa (ebitda) deve superar 250 milhões de reais, de acordo com estimativas da corretora Brascan. A cifra referia-se a um corte de 10% na tarifa média – o esperado inicialmente pelos analistas.

Quedas paralelas

Outras empresas do setor elétrico, não diretamente afetadas pelas revisões tarifárias da Aneel, também apresentaram fortes quedas neste pregão. Os papéis preferenciais da Eletropaulo (ELPL6) fecharam o dia valendo 4,14% menos, a 34,99 reais. A estatal Eletrobrás, que controla algumas das maiores geradoras do país, como Chesf e Furnas, viu suas ações ordinárias (ELET3) caírem 4,56%, para 27,20 reais, e as preferenciais (ELET4), 4,36%, para 26,30 reais.

Segundo os especialistas, o mercado pode ter aproveitado o dia para realizar lucros, após a alta dos papéis na semana passada. “Os papéis da Eletrobrás, em especial, subiram fortemente na última semana”, afirma um analista que pediu para não ser identificado. As ordinárias se valorizaram 6,34% e as preferenciais, 9,13% no período. “Não há nada que explique a queda, além de realização de lucros”, diz o analista.