Ações de bancos ainda são atraentes, dizem analistas

Apesar da queda de rentabilidade neste ano, corretoras dizem que ações de instituições financeiras são mais seguras que Vale e Petrobras

Quem estava acostumado a ver o lucro dos bancos saltar de um ano para outro se surpreendeu com os resultados desta última temporada de balanços. Além de contabilizar um crescimento bem mais modesto em seus ganhos, as instituições registraram pela primeira vez em muito tempo queda de rentabilidade. Os números, somados a uma desvalorização de mais de 10% nas ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) neste ano, fizeram pipocar dúvidas sobre o desempenho do setor daqui para frente.

A crise das hipotecas de alto risco (subprime) nos Estados Unidos, apesar de não ter atingido diretamente os bancos brasileiros, pesou sobre as ações. “A credibilidade do setor bancário no mundo inteiro foi afetada por essa crise. Mesmo não existindo subprime no Brasil, os bancos daqui não tiveram como escapar, já que grande parte dos investidores é de fora do país”, diz a analista da agência classificadora de risco Austin Rating, Cátia Mota.

Em 2008, os estrangeiros retiraram 15 bilhões de reais da Bovespa e, segundo os analistas, enquanto esse dinheiro não retornar ao mercado, dificilmente os papéis voltarão a subir. Mas isso não quer dizer que as ações dos bancos micaram. “Pelo contrário. Acho que as ações dos grandes bancos brasileiros são uma das grandes oportunidades da Bolsa atualmente. Tenho mais segurança em indicar a compra desses papéis que os da Vale ou da Petrobras”, diz o analista-chefe da corretora Coinvalores, Marco Aurélio Barbosa.

A explicação é simples. Ao contrário das duas gigantes, os bancos não deixam dúvidas sobre suas atividades no futuro. Para contornar o aumento da tributação, a perda de receita com tarifas, a elevação no custo de captação e a maior competição no setor a saída é buscar mais clientes e fortalecer a concessão de crédito.

Itaú e Bradesco revisaram para cima suas projeções de crescimento da carteira de crédito, chegando a 30% no ano e indicando que a alta na inflação e na taxa básica de juros (Selic) não está prejudicando suas operações. “Enquanto houver criação de emprego e elevação na renda da população, os bancos continuarão emprestando muito”, diz Cátia.

Com a inadimplência sob controle, ressaltam os especialistas, está afastada hipótese de criação de uma bolha de crédito. No segmento pessoa física, o principal incremento está no crédito consignado e nos empréstimos com garantia, que são os que apresentam menores riscos.

À frente dos concorrentes

Além da solidez, os bancos brasileiros apresentam outro fator que agrada os investidores: bom preço. Os indicadores mostram que, atualmente, é mais rápido obter retorno aplicando em instituições brasileiras que em bancos de outros países.

As previsões das corretoras
  Banco do Brasil (BBAS3) Bradesco (BBDC4) Itaú (ITAU4) Unibanco (UBBR11)
Preço atual* 23,40 31,70 32,71 20,00
Preço-alvo (R$)**        
Ágora 44,51 29,38
Alpes 50,62
Espírito Santos 44,30 24,15
Coinvalores 31,00 54,00 61,80
Corretora Geral 54,00
Geração Futuro 37,77 65,28 54,28 34,00
HSBC 37,00 42,50 43,20 30,00
Itaú 35,00 47,00 26,00
Planner 55,00
Prosper 52,00
SLW 54,00
Socopa 52,71 50,90 34,20
Souza Barros 49,50
Spinelli 50,00
Unibanco 48,39
Potencial máximo de alta (%) 61,41 105,93 88,93 71,00
* Cotação em 08/08/2008
* *Preço-alvo para 12 meses
Fontes: Bovespa e corretoras