Ações da Xstrata ficam instáveis com notícias da Vale

Papéis chegaram a cair 4,95% na manhã desta quinta-feira, após o governo brasileiro indicar que pode não aprovar a compra da companhia pela Vale do Rio Doce

As ações da mineradora Xstrata desabaram na manhã desta quinta-feira (24/1) na Bolsa de Valores de Londres depois que o governo brasileiro deu indícios de que não aprovará a compra da companhia pela Vale do Rio Doce. Os papéis da anglo-suíça chegaram a cair 4,95% na mínima do dia, mas às 15h04 (horário de Brasília) já demonstravam recuperação e subiam 1,25%.</p>

Na última terça-feira (22/1), o colunista da revista Veja, Lauro Jardim, publicou em seu blog que o presidente da Vale, Roger Agnelli, ainda não conseguiu convencer o conselho de administração da empresa – do qual fazem parte a BNDESPar e a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil – da importância da compra da sexta maior mineradora do mundo. Em relatório, a Prosper Corretora considera “crível a possibilidade de que o governo possa impedir a Vale de fazer uma oferta pela Xstrata, não somente pela pressão política direta à empresa, mas também pelo domínio de mais de 60% das ações ordinárias da Valepar, a controladora da Vale”.

A manifestação do governo na Vale, uma empresa de capital privado, sem a devida justificativa técnica é vista como  negativa pelos analistas da corretora. Apesar disso, a instituição avalia que as ações da companhia não serão afetadas pela questão. Às 15h09, os papéis preferenciais da Vale do Rio Doce eram negociadas a 43,60 reais, em alta de 7,36%. As ações ordinárias subiam 11,66%, para 50,25 reais.

O negócio

Para levantar recursos para a compra da Xstrata, a Vale recorreu a bancos estrangeiros, entre eles HSBC, Credit Suisse, Citigroup, Santander, BNP Paribas, Barclays e RBS. A aquisição da Xstrata custaria entre 70 e 90 bilhões de dólares à Vale e, para fechar o negócio, os executivos da companhia terão de resolver uma complexa equação: como comprar a Xstrata e, mesmo assim, manter o status de empresa com grau de investimento, considerada um porto seguro pelos investidores?

“Eles precisam oferecer o máximo possível em ações da Vale, e menos em dinheiro”, diz um executivo próximo à mineradora. “Assim, reduzem o tamanho da dívida necessária para fazer a aquisição e, com isso, mantêm o grau de investimento”. Somente com o grau de investimento garantido os bancos teriam disposição de emprestar o montante que a Vale precisa para fazer a oferta. Num momento difícil para o mercado de crédito, em que as principais instituições financeiras do mundo anunciam prejuízos históricos, os bancos encontrariam grandes dificuldades em colocar dinheiro numa operação efetuada por uma empresa considerada insegura pelos investidores.

Aquisições feitas com um misto de dinheiro e ações são comuns, mas se tornam mais difíceis em empresas com a estrutura acionária da Vale. A mineradora brasileira tem ações ordinárias e preferenciais. Para que uma fusão com a Xstrata não altere seu bloco de controle, a moeda nas mãos dos executivos da Vale são suas ações preferenciais, sem direito a voto. Aí, portanto está outro problema: em negociações que acontecem há semanas em Londres, a Vale tenta convencer os donos da Glencore, maior acionista da Xstrata com 35% do capital, a aceitar um pacote de ações preferenciais como pagamento. Segundo EXAME apurou, a probabilidade de que a Glencore aceite a oferta em ações preferenciais cresceu significativamente nos últimos dias. Caso o negócio vá adiante, a Vale diversificaria ainda mais suas operações, em áreas como carvão e cobre, e formaria um gigante estimado em 220 bilhões de dólares.