Ações da VCP disparam com aumento de participação na Aracruz

Papéis sobem até 9,5% com a possibilidade de união das duas empresas

O anúncio de que a Votorantim Celulose e Papel (VCP) fechou um acordo para elevar sua participação na Aracruz provocou uma disparada nas ações da companhia <a href="http://www.investinfo.com.br/abrilexame/Highlights.aspx?acao=VCPA4"><strong>(VCPA4)</strong></a> nesta quarta-feira. Às 13h13, os papéis subiam 6,10%, para 38,75 reais, depois de já terem alcançado a valorização máxima de 9,5% até o momento.</p>

Na contramão, as ações ordinárias da Aracruz (ARCZ3) caíam 13,34%, recuperando parte das perdas que chagaram a ultrapassar 30% no pregão de hoje. Já os papéis preferencias (ARCZ6), de maior liquidez no mercado, chegaram a cair 5,5%, para 9,95 reais, na mínima do dia. A queda pode ser explicada pela diferença no valor de troca das ações da VCP pelas da Aracruz. Segundo cálculos dos analistas, no fechamento de ontem, os papéis preferenciais da Aracruz estavam  25% acima do que seria pago caso fosse aplicada a relação de troca informada pela VCP – entre 0,22 e 0,24 ação (ordinária ou preferencial) da VCP para cada ação ordinária ou preferencial da Aracruz. Assim, os investidores estão aproveitando para vender os papéis e embolsar a diferença.

Apesar de a VCP ainda não ter informado se será realizada a unificação das duas companhias, o mercado já trabalha com essa possibilidade. “Como a empresa já comunicou que será feita uma reestruturação societária, nada exclui a possibilidade de fechamento do capital da Aracruz”, diz o analista da corretora Geração Futuro, Felipe Ruppenthal.  

O negócio, para se concretizar, ainda precisa passar por duas etapas: a concordância por parte de outro acionista controlador – a Arainvest Participações, do Grupo Safra – e a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). “É pouco provável que a VCP não saiba qual a posição do Grupo Safra. Se anunciaram a operação, é porque devem ter a anuência”, ressalta Ruppenthal. A Arainvest tem 90 dias para se pronunciar.

Ganhos para ambas as partes

A união das duas companhias é vista pelos analistas como positiva para ambas as partes. A VCP, que já é a maior produtora mundial de celulose de eucalipto, ganharia ainda mais poder de barganha junto a fornecedores, além de ampliar seu mercado de atuação. Os analistas estimam que o ganho de sinergia chegue a 4,5 bilhões de reais.

A Aracruz, por sua vez, seria beneficiada pelo fim do conflito de interesses, já que a VCP, sua concorrente, é uma de suas controladoras.

Disputa pela empresa

Desde maio, com o fim do acordo que determinava que nenhum acionista poderia deter mais de 28% de participação na Aracruz, os rumores de troca de controle da companhia ganharam força. A VCP era a principal candidata a nova dona da empresa, mas a Suzano Papel e Celulose também estaria interessada no negócio.

Com a operação, a VCP deve passar a deter 56% da Aracruz, mas isso não quer dizer que a Suzano não tem mais chances de participar do negócio.  “O BNDES, por exemplo, poderia vender sua parte”, lembra o analista da corretora Planner, Peter Ho. A instituição tem hoje 12,49% das ações ordinárias da Aracruz.