Ações da Vale disparam com reajuste acima do esperado no minério de ferro

Papéis lideram o ranking das maiores altas do Ibovespa no dia

As ações da Vale do Rio Doce estão apresentando forte alta nesta segunda-feira (18/2) na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), encabeçando o ranking das maiores altas do Ibovespa no dia. Às 11h55, os papéis preferenciais subiam 5,22%, para 48,93 reais, enquanto as ações ordinárias registravam alta de 5,12%, cotadas a 58,05 reais. Os papéis da Bradespar, empresa de participações que investe a maior parte de seus recursos na Vale, ocupavam a terceira posição na lista das maiores altas, contabilizando valorização de 4,38%, para 42,59 reais.

A alta deve-se ao reajuste de 65% no preço do minério de ferro comercializado pela mineradora brasileira, índice superior à expectativa mais otimista do mercado, que era de 50%. A companhia informou nesta manhã que acertou com as siderúrgicas japonesas Nippon Steel, Nisshin Steel, JFE Steel, Kobe Steel, Sumitomo Metals e com a sul-coreana Posco que o preço da tonelada métrica seca da commodity em 2008 passará a ser de 1,1898 dólar por unidade de ferro para produto proveniente do Sistema Sul (SSF) e de 1,2517 dólar por unidade de ferro para o originário de Carajás (SFCJ).

De acordo com a Vale, “os preços para 2008 refletem a continuidade do excesso de demanda no mercado global de minério de ferro”. Entre 2001 e 2007, a companhia expandiu sua produção de minério de ferro a uma taxa média anual de 14,1%, chegando ao final do ano passado com uma produção de 296 milhões de toneladas. Até 2012, a companhia espera elevar sua produção a 450 milhões de toneladas.

Na avaliação da Prosper Corretora, o reajuste terá um importante papel nas negociações da Vale com a mineradora anglo-suíça Xstrata, uma vez que com “o aumento de fluxo de caixa proveniente do reajuste a companhia estará em uma posição significativamente mais confortável para aumentar o nível de endividamento em uma possível aquisição da Xstrata, reduzindo o nível de risco advindo da alavancagem financeira”.

Para a corretora Ativa, o reajuste firmado com as siderúrgicas japonesas e com a sul-coreana também deve nortear o processo de negociação de preços com as demais mineradoras do mundo. No entanto, a corretora ressalta que os próximos reajustes poderão vir um pouco acima dos acertados nesta primeira rodada de negociação. “Poderemos ter algumas diferenças em relação às mineradoras australianas, que buscarão obter um prêmio de frete que reflita a maior proximidade que possui das siderúrgicas asiáticas”, diz a Ativa em relatório.

Na avaliação da corretora, CSN, Usiminas e MMX também deverão ser beneficiadas pelo reajuste “dada a exposição das companhias ao minério de ferro, porém a última, devido à venda do Sistema Minas-Rio e Amapá para a Anglo American, menos do que poderia antes da operação em questão”.

As ações das três empresas também já refletem a notícia. Na Bovespa, os papéis ordinários da CSN eram negociados a 63,95 reais, em alta de 3,98%, enquanto as ações preferenciais da Usiminas subiam 1,71%, para 95 reais, e as ordinárias da MMX eram cotados a 880 reais, valorizadas em 0,91%.