Ações da Vale devem ter dias de volatilidade na Bolsa

Negociações para compra da Xstrata podem provocar um sobe-e-desce nos papéis da companhia, dizem analistas

Os acionistas da Vale do Rio Doce devem se preparar para um período de grande instabilidade nas ações da companhia, alertam os analistas. As negociações para a compra da mineradora anglo-suíça Xstrata devem provocar sobe-e-desce nas cotações, que reagem a cada nova notícia sobre o assunto.

Nesta terça-feira (12/2), as ações sobem na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), refletindo a decisão da Xstrata de rejeitar a oferta de 38,9 bilhões de libras esterlinas (o equivalente a 76 bilhões de dólares). Às 12h53, os papéis preferenciais eram cotados a 48,11 reais, valorizados em 2,25%, enquanto os ordinários registravam alta de 2,91%, a 57,12 reais. De acordo com a corretora Prosper, os investidores receberam bem a notícia, já que muitos viam de forma negativa a compra da Xstrata em função dos riscos que a operação geraria para a empresa. Para fechar a aquisição, a Vale teria de encontrar uma fórmula que possibilitasse manter o grau de investimento e, ao mesmo tempo, levantar os recursos necessários para a operação. A solução seria oferecer o máximo em ações e o mínimo em dinheiro. Assim, seria possível reduzir o valor do empréstimo para a compra e manter o grau de investimento.

A Vale ofereceu 40 libras por ação da Xstrata, valor considerado baixo pelos acionistas da mineradora anglo-suíça. A expectativa dos sócios da empresa é obter, no mínimo, 45 libras por ação. Neste caso, a Vale teria de desembolsar 85,5 bilhões de dólares para ficar com a Xstrata. A brasileira tem até o dia 21 de março para apresentar uma nova proposta de compra. Senão, ficará impedida de fazer uma nova oferta num prazo de seis meses.

“Caso a Vale venha a aumentar a oferta, acreditamos que os ativos da companhia irão sofrer novamente, refletindo o custo maior da aquisição”, diz a Prosper em relatório. A corretora SLW também prevê “mais incertezas e oscilações no preço das ações da Vale que agora, provavelmente, terá que pagar o valor de 85,5 bilhões de dólares pela Xstrata”.

Neste ano, as ações da Vale acumulam perdas de 7,3% (preferenciais) e 6,4% (ordinárias). Grande parte da desvalorização pode ser atribuída também às incertezas em relação ao futuro da economia americana, que vêm abalando todo o mercado. Em 2008, o Ibovespa registra queda de 5%.