Ações da Vale desabam 11,35% e têm a maior queda do Ibovespa

Brasileira negocia compra da sexta maior mineradora do mundo - e endividamento preocupa investidores

Em um dia marcado por queda generalizada na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), as ações preferenciais da Vale do Rio Doce lideraram o ranking das maiores baixas, fechando o pregão de hoje cotadas a 41,55 reais, com desvalorização de 11,35%. Os papéis ordinários ficaram com a terceira colocação na lista dos piores desempenhos, cotados a 46,22%, baixa de 10,40%.</p>

Parte da queda pode ser justificada pela notícia de que a mineradora brasileira negocia a compra da Xstrata, a sexta maior mineradora do mundo – informação dada com exclusividade pelo Portal EXAME na última sexta-feira (18/1). A companhia estaria disposta a pagar 90 bilhões de dólares pela concorrente anglo-suíça, cinco vezes mais que o valor despendido em sua maior aquisição – a mineradora canadense Inco, comprada em 2006 por 17 bilhões de dólares.

Na avaliação dos analistas, a operação pode ser positiva para a Vale, mas é preciso avaliar como ficará seu nível de endividamento. “A companhia ganharia exposição em minerais em que sua participação não é tão relevante quanto em minério de ferro e níquel”, aponta relatório da corretora SLW. “Contudo, o mais importante será avaliar a estrutura de pagamento utilizada para a conclusão do negócio, pois a companhia não pode perder o grau de investimento”, complementa.

Pensando nisso, os executivos da Vale trabalham para resolver uma complexa equação: oferecer o máximo possível em ações da Vale, e menos em dinheiro, diz um executivo próximo à mineradora. “Assim, reduziriam o tamanho da dívida necessária para fazer a aquisição e, com isso, manteriam o grau de investimento”. Somente com o grau de investimento garantido os bancos teriam disposição de emprestar o montante que a Vale precisa para fazer a oferta.  Até o momento, oito bancos estrangeiros, entre eles HSBC, Credit Suisse, Citigroup, Santander, BNP Paribas, Barclays e RBS, aderiram a um consórcio para financiar a operação.