Ações da Cesp despencam com resistência à renovação das concessões

Direito sobre as hidrelétricas Jupiá e Ilha Solteira é essencial para a privatização da companhia

As ações da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) iniciaram as operações desta sexta-feira (5/9) em forte queda na BM&amp;FBovespa com a notícia de que o governador do Estado de São Paulo, José Serra (PSDB), não conseguiu convencer o governo Lula a renovar as concessões das hidrelétricas Jupiá e Ilha Solteira. Às 10h41, os papéis da empresa <a href="http://www.investinfo.com.br/abrilexame/Highlights.aspx?acao=CESP6"><strong>(CESP6)</strong></a> eram os mais desvalorizados do Ibovespa, recuando 7,83%, para 22,10 reais.</p>

A renovação das concessões é considera essencial para que o governo de São Paulo consiga privatizar a Cesp, um negócio avaliado em 20 bilhões de reais e que geraria uma receita adicional de pelo menos 7 bilhões de reais ao estado. Uma tentativa de venda da empresa foi realizada no começo de março, mas o leilão fracassou devido à falta de garantias de renovação das concessões das duas usinas. Pelo contrato atual, a Cesp deve devolver as hidrelétricas Jupiá e Ilha Solteira à União em 2015, quando vencem os contratos.

Segundo o jornal O Estado de S.Paulo, em reunião, ontem, no Palácio do Planalto, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, apresentou duas possibilidades para o caso: ou o Estado de São Paulo devolve à União as duas usinas, que são responsáveis por 67% da capacidade geradora da Cesp, ou a União renova as licenças das usinas, por meio de uma “concessão onerosa”. Nesse modelo, a União cobra um bônus do Estado, o que, segundo especialistas, pode reduzir o valor de venda da Cesp a algo em torno de 5 bilhões de reais, isto é, um quarto do valor pretendido por Serra.

Uma fonte do governo que acompanha os trabalhos da comissão encarregada de propor uma solução para as usinas, com garantia de concessão até 2015 no máximo, disse ao jornal que nenhum dos dois modelos em estudo atende às pretensões de Serra. Afinal, a mudança da lei para permitir a simples renovação das concessões pela segunda vez consecutiva está descartada. O governo federal argumenta que não poderia fazê-lo porque a Cesp não é uma empresa pública e sim de economia mista.

* Com informações da Agência Estado.