Ações da Brasil Telecom devem ter forte alta com fusão, dizem analistas

União com a Oi, esperada para os próximos dias, deve impulsionar os papéis, que já contam com potencial de valorização de até 57% segundo as corretoras

Apesar de não haver nenhum dado oficial, a compra da Brasil Telecom pela Oi (ex-Telemar) já é dada como certa pelos analistas. A dúvida do mercado gira em torno do valor da operação, que pela avaliação dos especialistas deve ficar entre 4,5 bilhões de reais e 5,3 bilhões de reais. Isso quer dizer que os minoritários podem ter um ganho de até 25% sobre o valor das ações (BRTP3) desta sexta-feira (4/4), que fecharam cotadas a 49,80 reais na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), segundo estimativas da corretora Planner (veja na tabela no final da página. Para ter acesso ao estudo completo, clique aqui ).

Por lei, a Oi é obrigada a pagar aos minoritários detentores de ações ordinárias da Brasil Telecom (BRTP3) 80% do valor acertado com os sócios controladores, direito denominado tag along. A companhia pode, no entanto, voluntariamente estender esse direito aos acionistas preferencialistas, como uma demonstração de boa governança corporativa. Algumas empresas, como a Vivo na ocasião da compra da Telemig, já fizeram isso. No caso de Oi e Brasil Telecom, porém, não há um consenso entre os analistas sobre essa possibilidade.

“A Oi tem o interesse de substituir todas as ações de Brasil Telecom e Telemar por uma só. Uma oferta para os preferencialistas seria uma forma de retirar os papéis do mercado”, diz um analista que prefere não se identificar. O analista da corretora Alpes, Fausto Gouveia, também considera provável a extensão do tag along aos preferencialistas. “Isso melhoraria a imagem da empresa no mercado, contribuindo para o lançamento da nova ação no futuro”, diz.

 Já um outro especialista, que deseja não ter seu nome divulgado, não acredita nessa hipótese. “Depois de tanta indisposição com os minoritários e duas ofertas frustradas de recompra de ações, nada indica que a Oi teria o interesse em estender o tag along aos preferencialistas. Uma oferta agora acabaria por reduzir a liquidez das ações, e isso não seria interessante para a empresa”, diz.

Ainda que não esteja clara a questão do tag along, diversas corretoras recomendam a compra e a manutenção das ações preferenciais (PN) da Brasil Telecom (BRTP4). “O papel está muito descontado e, mesmo que não haja o tag along, em algum momento a Oi vai fazer a troca dessas ações por uma nova – e os preferencialistas serão beneficiados”, afirma a analista da corretora SLW, Kelly Trentin. Na avaliação da corretora, as ações PN da Brasil Telecom (BRTP4) apresentam potencial de alta de 14,9%, podendo chegar ao final de 2008 cotadas a 30,50 reais. A Alpes é mais otimista, prevendo alta de 56,7% para os papéis, que chegariam a 41,60 reais em dezembro. Já o Unibanco estima o preço da ação em 32,80 reais e a Planner em 29,15 reais.

Antes do final do ano, no entanto, deve acontecer a substituição das ações de Brasil Telecom e Telemar pela ação ordinária da Oi.  A relação de troca é uma incógnita que nem mesmo os analistas arriscam estimar. “Mas é praticamente certo que será uma condição atraente para os minoritários. O momento é de solução, não de geração de conflitos”, afirma Gouveia.

Para o analista que prefere não se identificar, há três caminhos para a troca dos papéis: 1 – estender o tag along às ações preferenciais, possibilitando à companhia fechar o capital da Brasil Telecom e, posteriormente, lançar as ações ordinárias da Oi; 2 – converter as ações preferenciais em ordinárias e realizar uma oferta de troca dos papéis ou 3 –  realizar uma oferta de recompra de ações, determinando um valor fixo para os papéis preferenciais e outro para as ações ordinárias.

Com tantas expectativas e indefinições no mercado, quem decidir aplicar em Brasil Telecom deve se preparar para enfrentar volatilidade. Apesar disso, o cenário que se apresenta para a “supertele” é promissor.

A nova companhia deve nascer com um faturamento anual de 30 bilhões de reais, detendo 65% da telefonia fixa no Brasil, 43% da banda larga e 17% do mercado de telefonia móvel. Será a maior empresa de telecomunicações do país, com cacife para enfrentar europeus (Telefônica, TIM e Vivo) e mexicanos (Embratel, Net e Claro).

Como as operações de Oi e Brasil Telecom são complementares – as empresas atuam em regiões diferentes do país -, serão grandes os ganhos de sinergia, permitindo o desenvolvimento de novas tecnologias – como a 3G, que disponibiliza a internet em banda larga pelo celular – em escala nacional. “A expectativa é que haja no Brasil uma explosão da tecnologia 3G, que já é uma realidade no exterior. Os mercados de primeiro mundo estão saturados, não tendo, portanto, muito espaço para crescimento. As oportunidades estão nos emergentes”, diz Marcelo de Faro, analista da corretora Intra, destacando que a “supertele” poderá competir inclusive em outros países.

Unidas, Oi e Brasil Telecom conquistam poder de barganha junto a fornecedores e poderão contar com a otimização dos custos nas áreas comuns às duas companhias. “O fluxo de caixa será muito forte e os acionistas poderão contas com bons dividendos”, diz Faro.

Considerando tag along para os detentores de ações ordinárias (BRTP3), a operação deve custar à Oi cerca de 8 bilhões de reais. Em dezembro, a empresa contava com um caixa de 6,7 bilhões de reais – confortável, segundo a Planner. Os recursos, no entanto, podem nem ser necessários num primeiro momento. Caso o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financie a operação, como é cogitado no mercado, a empresa ainda terá em mãos capital para investimentos mais que suficiente para preocupar a concorrência.

Para obter mais informações sobre as ações abaixo, clique sobre o código e acesse a Central do Investidor:

Brasil Telecom Participações ON (BRTP3)

Brasil Telecom Participações PN (BRTP4)

Venda do controle da Brasil Telecom para a Oi
(projeções para ações BRTP3)

Fonte: Planner