Ações da AmBev disparam com compra da Anheuser-Busch

Rápido desfecho da operação surpreendeu os analistas, que projetam fortes ganhos de sinergia

As ações da AmBev dispararam nesta segunda-feira na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) após o anúncio de compra da Anheuser-Busch pela InBev por cerca de 50 bilhões de dólares. Às 12h20, os papéis preferenciais (AMBV4) da companhia brasileira, que é controlada pela InBev, subiam 4,77% para 98,91 reais. No melhor momento do dia, as ações chegaram a 101,90 reais, o que representa alta de 7,9%.

A operação surpreendeu o mercado pelo seu rápido desfecho. A InBev elevou sua oferta de compra de 65 para 70 dólares por ação na última sexta-feira (11/7), após meses de conversas com a companhia americana. Em diversos momentos, a rival mostrou-se contrária a uma união com a InBev, com seu presidente, August Busch IV, declarando publicamente que não lhe agradava ter um brasileiro no comando dos negócios. A InBev, presidida por Carlos Brito, chegou a tentar destituir Busch IV do cargo, assim como todo o conselho da empresa americana. Em represália, a Anheuser-Busch acionou a Justiça americana contra a InBev.

O acordo amigável entre as companhias traz alívio ao mercado, que temia uma luta jurídica e, consequentemente, aumento de risco para as ações das empresas envolvidas. A Anheuser-Busch levará dois membros ao conselho da nova empresa, que terá sua sede na cidade de Saint Louis, nos Estados Unidos.

Como há pouca sobreposição geográfica entre os negócios das duas companhias, todas as fábricas da Anheuser-Busch nos Estados Unidos permanecerão abertas. Em relatório, a corretora londrina Collins Stewart afirma que a sinergia deverá chegar a 1,5 bilhão de dólares, superando a previsão dos analistas.

Com as marcas Budweiser, Bud Light, Stella Artois, Beck’;s, Brahma e Antarctica a Anhseuser-Busch- InBev passará a liderar os principais mercados de cerveja do mundo, incluindo Estados Unidos, China, Alemanha, Rússia e Brasil. O faturamento global de 36 bilhões de dólares coloca a Anhseuser-Busch-InBev à frente da atual líder mundial de cerveja, a SABMiller.

No Brasil, as ações da AmBev fazem parte das carteiras sugeridas pelas corretoras Ágora e Fator. A Ágora estima um potencial de valorização para os papéis de 75,8%, podendo chegar ao final de 2008 cotados a 166 reais. Já a Fator é mais otimista em relação aos resultados da empresa e projeta um potencial de alta de 104,6% para as ações, com preço-alvo de 192,91 reais em dezembro.

Apesar das atraentes projeções, os papéis preferenciais da companhia acumulam queda de 11,11% nos últimos 30 dias, enquanto os ordinários amargam 13,85% de perdas. No ano, a desvalorização é ainda maior: 25,55% para as ações preferenciais e 29,74% para as ordinárias. No período, o Ibovespa recuou 5,85%.

*Com informações da Agência Estado.