Magazine Luiza cai na Bolsa após oferta bilionária de ações

Por volta das 11h, o papel era o mais negociado do Ibovespa, operando em baixa de 2,63%

A rede Magazine Luiza vive um raro dia de queda na Bolsa. As ações da varejista aparecem entre os principais destaques negativos nesta quarta-feira (13), após a companhia ter levantado 4,7 bilhões em sua oferta subsequente de ações (follow-on). Segundo comunicado, o preço do papel foi fixado em 43 reais, praticamente sem desconto em relação ao valor de fechamento de ontem, de 43,40 reais.

Por volta das 11h, o papel do Magalu (MGLU3) era o mais negociado do Ibovespa, em baixa de 2,63%, cotado em 42,26 reais. No mês de novembro, a varejista acumula uma desvalorização em torno de 5%. No entanto, o papel avança mais de 88% desde janeiro.

Com a oferta, o novo capital social da companhia passará a ser de R$ 6.070.911.472,00, dividido em 1.624.731.712 ações ordinárias. As ações emitidas na oferta passarão a ser negociadas na B3 nesta quinta-feira (14), e a liquidação ocorrerá no dia 18 de novembro.

O objetivo da oferta é financiar o crescimento e a migração definitiva do Magazine Luiza de uma rede de varejo em uma plataforma, e assim criar seu “superapp”. A varejista pretende incluir novas categorias de produtos em seu marketplace, reduzir o tempo de entrega e desenvolver novas tecnologias e serviços para os varejistas, como adiantamento de recebíveis. Novas aquisições não estão descartadas.

Além disso, a empresa pretende otimizar a estrutura de capital, “incluindo reforço de capital de giro”.

Balanço animador no terceiro trimestre

A operação na B3 foi revelada logo após a rede ter divulgado um balanço trimestral considerado animador por investidores. A ação da varejista subiu 7% na ocasião.

Repetindo o desempenho dos trimestres anteriores, a empresa divulgou resultados positivos nas vendas, com o comércio eletrônico dobrando de tamanho e chegando a 3,3 bilhões de reais no terceiro trimestre, alta de 96% na comparação com o mesmo intervalo do ano passado.

Entre julho e setembro, o Magalu lucrou 235,1 milhões de reais. O lucro ajustado foi de 136,3 milhões de reais (12,7% maior) e é uma melhor base de comparação com 2018, pois está adaptado para obedecer a novas normas internacionais de balanços financeiros (o chamado IFRS 16), que passou a vigorar em janeiro.

“Top pick” das corretoras

Após o resultado do último trimestre, o BTG Pactual assinalou que os números do Magalu, além de surpreenderem, reforçam a escolha da ação entre as preferidas do banco (top pick). Mesmo com o valuation (avaliação sobre o valor da companhia) bastante elevado, dois fatores reforçam a tese do banco.

O primeiro, segundo o BTG, é a expectativa de que o comércio eletrônico vai triplicar até 2025 e aumentar a penetração no volume das vendas do varejo. O outro é a tendência de consolidação em mercados mais maduros. “Graças a uma jornada bem sucedida nos últimos anos, o Magalu é visto pelo mercado como um dos poucos potenciais vencedores”, escreveu a equipe do banco em relatório.

Em relatório na ocasião do balanço, o analista da Nord Research, Bruce Barbosa, destacou que as margens da companhia vêm caindo com o crescimento do marketplace e do e-commerce. “Estaria Magalu se tornando uma Amazon, dominando o mercado de e-commerce e esquecendo-se de ganhar dinheiro no processo? E como seria a vida de Magalu com o aumento da competição de Via Varejo (VVAR3) e Amazon?”, questionou.

Bruce diz não ver uma resposta, mas pontua que o mercado continua bastante otimista e aposta que a empresa voltará a elevar margens após dominar o e-commerce, o que, acrescenta, “não aconteceu com Amazon”.

A equipe da Guide Investimentos falou em “crescimento exponencial” do Magalu no terceiro trimestre. Os analistas da corretora esperam uma melhora na margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) para os próximos trimestres como a melhora da rentabilidade da Netshoes.