Ação de estatal pode subir mais de 100% em 2016, diz banco

Para o Santander, novas projeções da companhia são mais "realistas", o que justifica recomendação de compra dos papéis na Bovespa

São Paulo – A redução nas estimativas de resultado divulgadas pela Cemig (CMIG4) na semana passada agradou analistas do Santander, que recomendam a compra das ações da empresa na Bovespa.

Em relatório divulgado a clientes na sexta-feira (27), o banco diz que as novas projeções da Cemig são mais “realistas”, mas ainda assim avaliou o relatório de expectativas como neutro.

“Ainda aguardamos a implementação da estratégia de redução da alavancagem da empresa. Em nossa opinião, a Cemig apresentou o guidance construído em premissas mais realistas na comparação com 2015”, disseram Maria Carolina Carneiro e André Sampaio.

Ambos estipularam preço-alvo para os papéis da Cemig na Bolsa de R$ 11,54 no fim do ano, o que configura um potencial de valorização de 115,7% sobre o fechamento de ontem (R$ 5,35).

“A Cemig espera maiores reduções de custos em sua unidade de distribuição. Considerando o guidance fornecido (…), estimamos um possível impacto positivo de cerca de R$289 milhões decorrente do novo programa de demissões”, afirmaram os analistas.

Eles ressaltaram ainda que, para a próxima revisão tarifária, a empresa também espera menores baixas em sua base de ativos regulatória (RAB) e um melhor reconhecimento do índice de perdas.

“Consequentemente, suas estimativas para o Ebitda [lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização] da Cemig Distribuição são maiores que nossas estimativas (20% acima)”, disseram.

A Cemig espera que seu braço de distribuição atinja Ebitda entre R$ 1,173 bilhão e R$ 1,448 bilhão em 2016 e entre R$ 1,277 bilhão e R$ 1,578 bilhão em 2017.

Desinvestimentos

Os analistas do Santander destacaram que precisam de mais informações sobre os planos de desinvestimentos da companhia. 

Em encontro com investidores e analistas na semana passada, os diretores da empresa disseram que ela vai manter seu negócio principal, energia, mas irá se desfazer de participações em alguns projetos e ativos.

“A administração foi reticente em fornecer um cronograma para a venda de ativos, mas mencionou que a meta seria reduzir a exposição em projetos onde a Cemig não for a principal acionista controladora ou em segmentos que não sejam de energia”, disseram Maria e Sampaio.