Ação da Suzano sobe 5% mesmo após lucro cair 61% no 4º trimestre

Redução de estoques e expectativa sobre maior sinergia com operações da Fibria agradam mercado

São Paulo – O lucro líquido da Suzano, reportado após o pregão desta quarta-feira (12), ficou em 1,175 bilhão de reais no quarto trimestre de 2019 – 61% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. Mesmo com a queda do faturamento, as ações da companhia de papel e celulose chegaram a subir 5,18% nesta quinta-feira (13). 

Apesar de o lucro ter diminuído na comparação anual, o mercado encarou o balanço como positivo, tendo em vista que a empresa teve prejuízo de 3,460 bilhões de reais no terceiro trimestre. No ano, o resultado líquido da empresa ficou negativo em 2,815 bilhões de reais.

A desvalorização da celulose, pressionada pela guerra comercial que estava em andamento, foi um dos fatores que mais impactaram os ganhos da empresa em 2019. No ano, o preço médio da commodity caiu 29% em relação a 2018. 

Para tentar reduzir a depreciação do produto, a estratégia adotada pela Suzano foi diminuir a produção e impulsionar a desestocagem. No quarto trimestre, a empresa reduziu os estoques de celulose em 650 mil toneladas enquanto a produção caiu 12%. A medida foi agraciada pelo mercado. “O resultado trouxe destaques importantes, como a redução de níveis relevantes de estoque”, afirmou em relatório a equipe de research da Guide Investimentos.

Para a equipe de análise do BTG Pactual, a companhia entregou bons resultados, apesar das “duras condições de mercado”. Confiantes com a capacidade de “controle de danos” de executivos da empresa o banco de investimentos estima que o preço alvo da ação em 12 meses seja de 44 reais – potencial valorização de 10%, considerando o último fechamento. 

Parte dessa expectativa está ancorada nos ganhos de sinergia com a adquirida Fibria. No balanço do quarto trimestre, a Suzano atualizou os ganhos de sinergia da operação de 1,1 bilhão de reais para 1,2 bilhões de reais por ano até 2021. Esse valor, segundo a empresa, viria da redução de despesas e investimentos de capital provenientes das áreas de suprimentos, florestal, industrial, logística, comercial, administrativa e de pessoal.