Ação da BRF sobe 7% após balanço informar lucro inesperado

Analistas esperavam prejuízo, mas peste suína na China teve impacto positivo no resultado da empresa

As ações da Brasil Foods (BRF), maior exportadora de frangos do mundo e dona das marcas Sadia e Perdigão, chegaram a subir 7% pela manhã desta sexta-feira (9). O papel fechou em alta de 5%, negociado a 38,16 reais.

A alta foi observada logo após a divulgação do balanço, que apresentou lucro líquido de 191 milhões de reais entre abril e junho deste ano, enquanto especialistas esperavam prejuízo. Já a receita líquida foi de 8,338 bilhões de reais – alta de 18% comparado ao mesmo período do ano passado.

O resultado foi classificado como “muito positivo” pelo analista Antonio Barreto, do Itaú BBA, em relatório enviado a clientes.

O grande destaque para o aumento das receitas ficou por conta da peste suína, que atacou fortemente os rebanhos chineses. Estimativas do mercado, apresentadas no balanço, apontam que a China deve reduzir entre 25% e 35% a produção de carne suína em 2019 e 2020.

Com a diminuição da produção chinesa, dispararam o volume de importação de suínos e o preço do produto no país asiático. A BRF informou que, em comparação ao 2º trimestre de 2018, “a companhia praticamente dobrou o volume de exportações para o país, com os preços em dólares subindo 56,1%”.

No mercado brasileiro, as receitas da BRF aumentaram 11%, impulsionadas pela alta de 9,2% nos preços de alimentos processados e 31,2% nos preços do produto in natura. No segmento halal (voltado para a cultura islâmica), a empresa teve alta de 12,5% na receita líquida em relação ao mesmo período de 2018.

Outro bom resultado apresentado no balanço foi a alta do lucro operacional, que fez com que a dívida líquida caísse de 5,6 vezes para 3,7 vezes o valor da Ebtida (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação). A analista de commodities da XP Investimentos estima que essa proporção caia para 3,65 vezes e 2,65 vezes no fim de 2019 e 2020, respectivamente.

Na véspera da divulgação do balanço, a ação da BRF subiu 4,94%. A última vez que os papeis da empresa fecharam em queda foi na segunda-feira, dia em que a moeda chinesa ultrapassou a marca de 7 por dólar.

Até ontem (8), as ações da BRF subiam 65,62% no ano.

Em boletim divulgado pela Guide Investimentos, o estrategista da corretora Luis Gustavo Pereira vê os resultados com bons olhos por conta da expansão do preço médio de venda e o melhor desempenho comercial e operacional. “Seguimos confiantes no case de BRF e esperamos uma manutenção nos bons resultados para o segundo semestre de 2019 e 2020”.

Passado que condena

Apesar do otimismo do mercado, a empresa já reconheceu ter problemas de execução e o futuro da BRF ainda possui incertezas.

Nos últimos anos, a companhia se afogou em crises envolvendo desde conflitos entre sócios até investigações da Polícia Federal sobre fraudes no controle de qualidade, que originaram a Operação Trapaça.

Recentemente, a BRF tentou uma fusão com a Marfrig para tentar reduzir de forma mais rápida a dívida que girava em torno de 22 bilhões de reais, cerca de 7 vezes o lucro operacional da época. As negociações, entretanto, foram encerradas porque o fundador e maior acionista da Marfrig, Marcos Molina, não aceitou a repartição da nova empresa, segundo o que fontes próximas à operação relataram à Exame. Na divisão, a BRF ficaria com 85% das participações e a Marfrig com 15%.

Concorrência

Na manhã desta sexta-feira, as ações da concorrente JBS também subiam, e até às 12:20 já acumulavam alta de 3,13%. No ano, os papéis já subiram 131%. A empresa vai anunciar o balanço do 2º trimestre na próxima sexta-feira (16).

Já a Marfrig operava em alta de 1% por volta desse mesmo horário. As ações da companhia vêm de seis dias de altas consecutivas. Na terça-feira, o ativo subiu 7,41%, após a Marfrig anunciar parceira com a Archer Daniels Midland para comercializar carnes feitas com produtos de origem vegetal. O papel da empresa acumulava, até ontem (8), rentabilidade de 40,66% no ano.