A tensão geopolítica no Irã vai segurar a euforia das bolsas?

No Brasil, o índice Ibovespa fechou 2019 com alta de 31,5%, e analistas preveem avanço de mais 15% em 2020

São Paulo — O ano de 2020, que começa oficialmente nesta segunda-feira, será mais um período de forte alta para as bolsas? Uma das grandes questões nas mesas de negociação nesta segunda-feira é até que ponto os riscos geopolíticos conseguirão deter o ânimo de investidores no Brasil e nos Estados Unidos, onde os principais índices de ações quebraram reiterados recordes em 2019.

Nos Estados Unidos, o S&P 500 subiu 29% em 2019 e deve valorizar outros 9,7% em 2020, segundo a agência de notícias Reuters.

Por lá, uma das fontes de preocupação é o resultado das companhias americanas, que em 2019 ficou abaixo do desempenho das ações e que, agora, pode decepcionar ainda mais em 2020 em virtude da redução no ritmo de crescimento econômico do país. A falta de um acordo comercial entre China e Estados Unidos, e o fim do suporte do banco central americano, com a possibilidade de novas compras de títulos, são questões que podem jogar contra a bolsa nos próximos meses.

Uma possível disparada no preço do petróleo, a possibilidade de guerra com o Irã e as incertezas eleitorais completam a leva de preocupações de analistas e investidores. Os mercados abriram em baixa nesta sexta-feira sob impacto do ataque americano ao Irã — a bolsa de Tóquio caiu 1,91%.

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No Brasil, o índice Ibovespa fechou 2019 com alta de 31,5%, graças um dezembro espetacular, em que as ações valorizaram 7%, fechando o ano acima dos 115 mil pontos.

Foi o melhor desempenho do Ibovespa desde 2016. A expectativa é que uma melhora na economia em 2020 continue jogando o índice para cima. Um grupo de 12 gestoras e bancos de investimentos prevê uma alta de 15% para o Ibovespa em 2020. O JP Morgan, mais conservador, prevê alta de 8,97%, enquanto Ágora, Bradesco e XP Investimentos projetam ganhos de mais de 20%, para perto dos 140 mil pontos.

Um relatório de 2 de janeiro da Nord Research mostra que desde 2016 o Ibovespa valorizou 167%, mas ainda assim rendeu apenas 5,4% ao ano na última década, abaixo da poupança. Segundo o relatório, assinado por Bruce Barbosa, no longo prazo a lógica é que o índice valorize 12% ao ano, sua rentabilidade média. “Se subimos 30%, como em 2019, estamos ‘roubando’ crescimento futuro ou ‘correndo atrás’ dos anos com rentabilidade menor”, afirma Barbosa, antes de completar que vê caminho para o Ibovespa chegar a 214 mil pontos num futuro próximo.

Especialistas alertam para a volatilidade natural do mercado de ações, mesmo em meio à euforia. “Seria natural passarmos por uma correção após as fortes altas do fim do ano, mesmo que a tendência da bolsa seja de alta”, diz Felipe Miranda, fundador da empresa de informações financeiras Empiricus.