A influência dos classificadores de risco nos mercados

A importância que se dá aos classificadores de risco, de grande influência nos mercados financeiros, foi tema de debate na recém concluída assembleia do BID

Costa do Sauípe – A importância que se dá aos classificadores de risco, de grande influência nos mercados financeiros, foi tema de debate na recém concluída assembleia do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

O debate, embora velho para muitos, ocorreu na assembleia do BID realizada neste final de semana na Costa do Sauípe, no qual o Brasil se mostrou abertamente incomodado pela decisão de uma classificação de risco, na semana passada, de diminuir a nota de solvência.

A agência de classificação Standard & Poor’s reduziu a nota soberana de crédito do Brasil desde “BBB” até “BBB-“, algo que, embora sem perder o grau de investimento, deixou o país no último degrau dessa categoria.

O Brasil considera que a decisão da agência de classificação de risco não reflete a situação de um país comprometido com uma política de ajuste fiscal, que no último ano recebeu US$ 68,5 bilhões em investimento estrangeiro direto e que conta com reservas internacionais no valor de US$ 370 bilhões.

“Temos que avaliar as mudanças metodológicas das agências de classificação de risco. Qualquer ajuste (do BID) para se adequar às novas exigências tem que ser muito bem pensada”, afirmou em seu discurso na cerimônia de abertura da assembleia a ministra brasileira de Planejamento, Miriam Belchior.

Belchior, que passou a ocupar a presidência da Assembleia de Governadores do BID, cargo que desempenhará durante o próximo ano, advertia assim ao organismo de crédito multilateral do perigo que as exigências das agências de investimento e suas notas influenciam na capacidade da instituição de ajudar os países em dificuldades.

O presidente do BID, o colombiano Luis Alberto Moreno, tinha se mostrado anteriormente, também durante os trabalhos preparatórios da assembleia, orgulhoso que as classificações de risco mantivessem o BID na categoria AAA.

Moreno acrescentou que a assembleia de governadores da instituição creditícia pediu para ele manter essa máxima nota das classificação de risco.


Por sua parte, Belchior lembrou que o BID havia sido criado, precisamente em reunião no Brasil em 1959, com a ideia de funcionar como uma cooperativa de países, alguns desenvolvidos e outros em desenvolvimento, para se ajudar entre si.

O BID tem que “manter sua política de apoio e solidariedade entre nossos membros”, afirmou Belchior.

O debate sobre a influência dos classificadores de risco se produz em função da situação creditícia de alguns países-membros do organismo que são receptores de fortes volumes de financiamento do BID e da preocupação de certos setores de que isso vá influenciar na solvência da instituição.

Caso especial é o da Argentina, um país que enfrenta dificuldades de liquidez e submetido ao “castigo” das agências classificadoras, das quais foi um permanente crítico e que mantêm este país entre suas categorias mais baixas.

O governo da presidente Cristina Kirchner enviou à Costa do Sauípe uma nutrida delegação liderada pelo chefe de Gabinete, Jorge Capitanich, que disse que a Argentina espera para 2014 pagamentos de US$ 2,853 bilhões procedentes de distintas fontes de financiamento, quase a metade dessa soma do BID.

Capitanich retornou a seu país após a assinatura de uma série de acordos financeiros aprovados pelo BID anteriormente, mas nem o governo argentino nem o banco falaram de um novo cronograma de pagamentos ou de novos acordos de financiamento.

Outros países se encontram em uma posição intermediária em relação a este debate.

O ministro colombiano de Fazenda, Mauricio Cárdenas, defendeu na Costa do Sauípe que o BID apoie todos os países que necessitem de recursos, incluindo os que atravessam dificuldades, mas se opôs às decisões de que possam comprometer a classificação de risco.

“A Colômbia sempre se oporia a qualquer decisão que possa gerar uma perda, um diminuição, na qualificação do BID”, disse à Agência Efe Cárdenas no domingo.

Para Cárdenas, o BID deve ter o papel de “pessoa que faz empréstimos” nos momentos de dificuldade quando os mercados se fecham a alguma nação por qualquer circunstância, “mas naturalmente, tudo dentro de limites” para garantir que os países latino-americanos recebam empréstimos com taxas baixas e competitivas.

“O BID tem que ser um mecanismo ágil que permita à região ter um financiamento em boas condições. Por isso, a classificação AAA é essencial para que possa ter esse papel”, disse.