À espera do Copom, juros fecham perto da estabilidade

Os juros futuros de curto prazo fecharam com volume fraco; já entre os contratos de longo prazo, predominou um viés de alta

São Paulo – Faltando dois dias para a decisão sobre a Selic em abril, os juros futuros de curto prazo fecharam com volume fraco e perto da estabilidade nesta segunda-feira, 31, dada a convicção de que o Comitê de Política Monetária (Copom) elevará a taxa básica em 0,25 ponto porcentual e com os investidores já no aguardo de sinais para consolidar suas apostas para maio.

Entre os contratos de longo prazo, predominou um viés de alta, determinado pela realização de lucros iniciada no fim da semana passada.

No fim da sessão regular na BM&FBovespa, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em julho de 2014 projetava 10,82% (123.685 contratos negociados), ante 10,81% no ajuste da sexta-feira.

O DI com vencimento em janeiro de 2015 apontava 11,12% (125.170 contratos), de 11,13% no ajuste da véspera. Na ponta mais longa da curva a termo, o DI para janeiro de 2017 (149.030 contratos) ficou com taxa de 12,47%, ante 12,43%. Já o vencimento para janeiro de 2021 (23.780 contratos) marcou 12,83%, ante 12,78%.

Profissionais das mesas de renda fixa consultados pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, destacam que o giro financeiro foi fraco hoje, ainda que alguns players estejam avaliando a exposição que pretendem manter, à medida que se aproxima a decisão sobre a Selic.

Hoje, o discurso mais suave da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, ajudou a diminuir a tendência de alta na ponta mais longa da curva a termo brasileira. Ela disse que a economia dos Estados Unidos e seu mercado de trabalho continuam longe de estarem saudáveis e que ainda exigem muito apoio da política monetária do banco central norte-americano.

Na Pesquisa Focus, do Banco Central, houve poucas alterações nas projeções macroeconômicas. A projeção para o IPCA em 2014 subiu de 6,28% para 6,30%, ao passo que a estimativa para 2015 seguiu em 5,80%.

No top 5 médio prazo, a estimativa para o IPCA subiu de 6,39% para 6,43%. Já a projeção para a expansão do PIB desacelerou de 1,70% para 1,69%, mas a previsão para a Selic no fim deste ano seguiu em 11,25%. O mercado prevê uma retomada do ciclo de alta do juro em 2015, com a taxa encerrando em 12%. No ano que vem, a economia brasileira deve crescer 2,00%.