A era dos extremos: a bolsa, o câmbio e as eleições

Investidores se mostram focados nas pesquisas eleitorais e a outros eventos que podem influenciar a bolsa

Caiu para voltar a subir? Sobram eventos internacionais para influenciar a bolsa e o dólar no Brasil, como a publicação, nesta quarta-feira, do Livro Bege do Fed, um conjunto de análises do banco central americano sobre a economia do país. Ontem, a China ainda pediu para que a Organização Mundial do Comércio imponha novas sanções contra os Estados Unidos. São eventos que tradicionalmente movem mercados.

Mas no Brasil de setembro de 2018 os investidores estão focados nas pesquisas eleitorais e em eventos paralelos (como decisões judiciais e atentados a faca) capazes de mexer com a cabeça dos eleitores.

Nesta terça-feira, o Ibovespa fechou em queda de 2,3% e o dólar subiu 1,5%, para 4,15 reais, como consequência da pesquisa Datafolha divulgada na noite anterior, mostrando que os efeitos do atentado a Jair Bolsonaro (PSL) foram mais restritos que o esperado. Segundo o Datafolha, Bolsonaro ganhou 2 pontos percentuais, dentro da margem de erro, e ainda viu sua rejeição subir 4 pontos, abrindo caminho para uma vitória de Ciro Gomes (PDT) ou Fernando Haddad (PT) no segundo turno.

Seguindo a lógica, hoje é o dia da retomada. Na noite de ontem, o Ibope divulgou um levantamento bem mais favorável a Bolsonaro, candidato que passou a ser visto por investidores como um porto mais seguro para a economia desde que anunciou o economista Paulo Guedes como seu ministro da Fazenda. Segundo o Ibope, as intenções de voto em Bolsonaro subiram de 22% para 26%. No segundo turno, Bolsonaro superaria Haddad em 40% a 36%, fato que tende a motivar investidores. A rejeição ao deputado também caiu três pontos após a facada, de 44% para 41%.

O mercado é terreno fértil para análises imediatistas. Quinta-feira passada, a bolsa subiu 1,76% minutos após a facada em Bolsonaro, consequência da visão dos investidores de que o ataque o favorece eleitoralmente, e que isso é motivo de alívio. Uma análise mais cautelosa, porém, pode revelar motivos para uma cautela generalizada. “A esquerda perder não significa que estaremos fora de perigo em 2019”, afirmou na segunda-feira em artigo a EXAME Sergio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados. “A polarização certamente se manterá elevada e a questão relevante é o que a equipe econômica de Bolsonaro fará caso chegue lá”.

Vale cita Alberto Dines ao dizer que o tempo é “negro” e a temperatura “sufocante”. Mas na bolsa e no câmbio os dias de tempestade continuarão se seguindo aos de céu de brigadeiro.

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