7 sinais de estresse agudo nos mercados financeiros

Indicadores voltaram a se deteriorar e a indicar mais problemas pela frente

São Paulo – Os sinais de estresse agudo voltaram a ficar visíveis com a piora do sentimento dos investidores em relação à crise na zona do euro. Desde 2007, quando a crise financeira internacional ainda engatinhava, o mercado tem visto exemplos de quebras estruturais em várias classes de ativos, que ora disparam e noutra derretem. E continua assim.

Os acontecimentos no mundo desde sexta-feira mostram que confiança em uma melhora para a economia global tem perdido força e as apostas de uma piora no cenário têm ganhado espaço.

Os ventos desfavoráveis têm causados estragos em todo o mundo, principalmente no bolso dos investidores, sejam eles pequenos com as suas poucas ações nas bolsas, ou os tubarões que perdem com a possibilidade de calote dos bilhões de dólares que possuem em papéis das dívidas dos países mais problemáticos.

EXAME.com selecionou alguns sinais de estresse extremo que lembram a necessidade de buscar proteção para os meses que vêm pela frente.

1. Risco dos títulos da Espanha

O prêmio pago pelos títulos de 10 anos da Espanha em relação aos papéis de mesmo prazo da Alemanha disparou para um nível inédito desde a criação do euro. A diferença chegou a 638 pontos-básicos na terça-feira após terem alcançado o nível de 7,621%.

2. Bolsas da Espanha e Itália

O índice IBEX, da bolsa de Madri, acumula uma baixa de 10% em apenas três sessões e alcançou o pior patamar desde o início da moeda única. No ano, a queda acumulada é de 30%. A bolsa de Milão, representada pelo índice FTSE MIB, também anda mal. Com a desvalorização de 2,7% desta terça-feira, também atingiu o seu menor nível desde o lançamento do euro. 

3. Intervenções no mercado

A Espanha e a Itália, países que estão no centro da atual crise, anunciaram a proibição da venda a descoberto das ações de bancos. O problema é que alguns, principalmente os políticos, argumentam que o aumento da atuação dos “short sellers” interfere no preço à vista e, desta forma, oferece combustível para o pessimismo e afeta a formação de preço.


Para outros, entretanto, essa é apenas uma maneira de excluir os pessimistas do mercado e de afastar a opinião sobre um futuro que, comandado pelos políticos, pode ser de fato pior do que o visto hoje.

4. Títulos do Tesouro americano

Em mais um sinal de preocupação dos investidores e de busca por proteção, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano despencaram na terça-feira, como reflexo da alta dos preços. Os papéis com prazo de 30 anos negociaram a 2,45% e os de 10 anos a 1,39%. Ambos os níveis são inéditos.

5. Preço do minério de ferro

O valor de uma das commodities mais desejadas do mundo e que mais indicam o crescimento futuro está no menor nível do ano. De acordo com o The Steel Index (TSI), o preço da tonelada do minério de ferro recuou para 122,90 dólares na terça-feira. Em 2012, o valor mais alto ficou em 149,40 dólares.

6. Desconfiança no setor financeiro

Os americanos não se sentiam tão inseguros em relação ao sistema financeiro há mais de três anos. O resultado da última pesquisa sobre a confiança da população americana no mercado, divulgado nesta terça-feira, aponta que apenas 21% deles se sentem seguros. “A confiança nos bancos desmoronou”, disse Paola Sapienza, um dos autores do estudo.

7. Ibovespa

O principal índice da bolsa brasileira também tem sofrido. O Ibovespa acumula uma queda de 7,17% e na segunda-feira chegou a operar abaixo do menor nível de 2012, a 52.213 pontos. O patamar é menor que os 52.271 pontos registrados durante a sessão de 28 de junho.