Walmart começa segunda etapa de seu projeto de sustentabilidade

Programa “Sustentabilidade de Ponta a Ponta” tem o apoio de 13 companhias, entre elas Ambev, Danone, Kimberly-Clark, Kraft Foods, Reckitt Benckiser, Sara Lee e Philips

Rio de Janeiro – No início de 2010, o Walmart lançava um projeto para contribuir com o desenvolvimento sustentável do mercado brasileiro.

Em parceria com grandes empresas fornecedoras, a rede colocou produtos nas gôndolas que tiveram seu processo de fabricação repensado para serem mais amigáveis ao meio ambiente e obtiveram um crescimento de até 40% em suas vendas.

Agora, o varejista inicia a segunda etapa da ação, com o apoio de 13 companhias, incluindo Ambev, Danone, Kimberly-Clark, Kraft Foods, L’oreal, Mars, Philips, Reckitt Benckiser, Santher, Sara Lee, SC Johnson, Whirlpool e Nat Cereais, responsável pela marca própria Sentir Bem, do Walmart.

A ideia é modificar toda a cadeia de produção e levar a sustentabilidade aos três pilares do conhecido como triple bottom line: people, planet e profit, o que significa colaborar para o desenvolvimento social e do meio ambiente, sem deixar de lado a questão econômica.

Pensando nisso, os produtos precisam maximizar os lucros das empresas, sem mexer com o bolso do consumidor, e garantir práticas que ajudem a preservar o planeta.

A ideia do projeto “Sustentabilidade de Ponta a Ponta” é fazer com que as indústrias escolham os principais itens da categoria e trabalhem para melhorar os processos envolvidos.

“Optamos por focar em produtos líderes de mercado por duas razões: o consumidor não precisa abrir mão do item de sua preferência e, ao mesmo tempo, acreditamos que podemos influenciar outros fornecedores a adotar ações semelhantes, gerando um efeito multiplicador em todo o mercado”, afirma Marcos Samaha, Presidente do Walmart Brasil.

Preço acessível para convencer o consumidor

A partir da definição, o produto passa por uma análise técnica de todo o processo de produção para gerar as mudanças possíveis, do início ao fim da cadeia.


Na primeira edição, o Walmart contou com 10 fornecedores, que contribuiram ao levar uma opção de compra consciente às gôndolas.

A iniciativa contou com a presença de companhias como 3M, Cargill, Coca-Cola, Colgate-Palmolive, Johnson & Johnson, Nestlé, Pepsico, Procter & Gamble, Unilever e o próprio Walmart Brasil, com a marca própria Bom Preço.

Como resultado, o lançamento das versões sustentáveis de produtos como Toddy, Matte Leão, Óleo de Soja Liza, Band-Aid e Pampers chamaram a atenção dos clientes do Walmart.

“O consumidor percebeu o diferencial dos produtos. A ideia é manter o preço ou até deixá-lo mais barato, porque o cliente não aceita comprar se o preço estiver excessivamente elevado. O desafio é fazer produtos mais sustentáveis e mais acessíveis”, explica Camila Valverde, diretora de sustentabilidade do Walmart Brasil.

Este ano, o projeto já aponta resultados positivos. As transformações realizadas nos 13 produtos representam uma decréscimo do uso de água de dois milhões de litros ao ano e 19 milhões de Kwh de energia.

Com relação às emissões de gases do efeito estufa, houve queda de 3.171 tons de CO2, correspondendo à economia de 17,3 milhões de km rodados. As reduções das embalagens também possibilitaram mais espaço nos caminhões, aumentando entre 32% e 64% na capacidade das carretas.

Embalagem como ferramenta de comunicação

Dentro da proposta, a escolha da Reckitt Benckiser não foi uma surpresa. A companhia optou pela marca Veja e tornou o Veja Perfumes Sensações eco friendly.

“Lançamos uma versão de dois litros, com menos material empregado e com custo mais baixo para o consumidor. Reduzimos o peso da tampa em 7%, baixamos a gramatura do rótulo em 6% e produzimos uma garrafa 100% feita de PET pós-uso”, conta ao portal Márcia Bolé, diretora de pesquisa e desenvolvimento da Reckitt Benckiser.


Em comparação com as outras versões disponíveis de Veja Perfumes Sensações, 500 ml e um litro, a embalagem de dois litros chega a representar uma economia de até 25% no preço final.

Já o Pilão Origem teve o seu preço elevado, depois de passar por um processo que gerou uma economia de 105,3 kg de resíduos, além de melhorias desde o plantio dos grãos de café, até o descarte das embalagens, 100% recicláveis e certificadas com o selo FSC.

Para convencer o consumidor sobre os diferenciais do Pilão Origem e alcançar a meta de 15 a 20 toneladas vendidas por mês, a Sara Lee apostou na comunicação do próprio produto, que traz dicas nas embalagens para o descarte correto do café e explica como a sobra da bebida pode evitar a propagação da dengue, por exemplo.

“Um pacote de 250g custa cerca de R$ 5,85. Queremos explicar ao cliente que pagar um pouco mais caro permite que o pequeno agricultor continue produzindo e mantenha sua vida no campo”, ressalta Hugues Godefroy, diretor comercial da Sara Lee.

Produtos verdes para todo o varejo

Já a Danone aumentou a eficiência do processo de fabricação e aplicou uma tecnologia para reduzir a embalagem de Danoninho Morango 360g, conseguindo resultados como a diminuição de 943 kg de embalagens.

“Danoninho é a primeira marca da Danone a adotar o conceito de sustentabilidade. Em 2010, inovamos também com Danoninho para Plantar, motivando de maneira interativa a experiência e educação ecológica junto aos consumidores”, explica Rodrigo Chaimovich, gerente de marketing de Danoninho.

Para promover as novidades, além de utilizar as embalagens como ferramentas de comunicação, as empresas também contam com a ajuda do Walmart.

A rede realiza o Mês da Terra, que promove o consumo consciente, reduzindo os preços de produtos ecologicamente corretos. As informações sobre sustentabilidade aparecem ainda nos pontos de venda e nos tablóides do Walmart, que destacam os diferenciais.

Os funcionários também recebem treinamento anual sobre o tema por meio do programa Mobiliza Geral e são sensibilizados a terem iniciativas pessoais sustentáveis.

“Este programa ajuda o mercado a se movimentar mais rápido para ter mais produtos verdes. O Walmart é um catalizador do desenvolvimento de produtos sustentáveis no mercado varejista, já que os lançamentos chegam às lojas e vão para todo o varejo em aproximadamente um mês. Estamos desafiados a fazer a terceira edição do projeto”, acredita a diretora de sustentabilidade do Walmart Brasil.