Rolling Stone cria algoritmo para identificar propensão ao suicídio

Projeto em parceria com Centro de Valorização da Vida analisa mensagens no Twitter

São Paulo – No mundo da música, onde a intensidade do espírito artístico muitas vezes se alia à fama, drogas e uma espiral de emoções, não é incomum que grandes nomes acabem cometendo suicídio – muitas vezes, jovens e no auge de suas carreiras milionárias. Mas os casos de depressão e outras doenças mentais que levam ao suicídio não se restringem aos artistas.

No Brasil, dados do Ministério da Saúde divulgados em 2018 mostraram que entre 2007 a 2016, 106.374 pessoas morreram em decorrência do suicídio. Em 2016, a taxa desse tipo de morte foi de 5,8 por 100 mil habitantes. No mundo, são cerca de 800 mil casos por ano. 

Pensando nesse problema, a revista Rolling Stone no Brasil, que cobre música e cultura, e o Centro de Valorização da Vida (CVV), em parceria com a agência Africa, criaram uma campanha para lidar com o problema. A campanha se inspirou na vida de grandes músicos e artistas estrangeiros e brasileiros que se mataram, como Kurt Cobain, Ian Curtis, Nick Drake, Torquato Neto, Chester Bennington e Chris Cornell. A depressão era um fator comum entre eles.

O projeto “Algoritmo da Vida” traz um algoritmo para Twitter, desenvolvido pela produtora Bizsys. O sistema identifica expressões escritas no tweets que podem indicar algum tipo de sintoma de depressão. Após a fase inicial de identificação, uma equipe de especialistas checa os resultados e confere a recorrência do uso das palavras e frases e também analisa o contexto da frase e se há ironia. Se chegarem à conclusão que as mensagens têm potencial para indicar a depressão, o usuário recebe uma mensagem privada indicando o telefone do Centro de Valorização da Vida (CVV). Segundo os criadores, desde fevereiro a ferramenta detectou cerca de 300 mil menções a termos que podem indicar a depressão.

Estudos recentes mostram que a linguagem de uma pessoa depressiva (e potencialmente suicida) muda. Uma pesquisa publicada em 2018 no periódico Clinical Psychological Science mostrou as diferenças no padrão de fala. Pessoas depressivas usam mais pronomes pessoais em primeira pessoa, como “eu” e “mim”. Também usam com mais frequência palavras como “triste” e “sozinho”, ou “nada” e “completamente”.

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