Marcas decidem se unir para superar crise econômica

Quatro marcas de moda decidiram criar um coletivo para, juntas, enfrentar a crise na economia e no varejo

São Paulo – Quatro marcas do mundo da moda decidiram se unir para enfrentar a crise econômica.

Com o varejo afetado, as donas das marcas 412Be, AMIS D’ÉCOLE, Flor e Gabriela Sakate viram que a solução era a união e pensar em soluções conjuntas.

Dessas conversas entre amigas, nasceu o coletivo Les Amis Nomades – em um contexto que vê a tendência da economia colaborativa e criações online migrando para o mundo físico.

As quatro marcas têm forte presença no e-commerce, mas não contam com pontos físicos de venda.

Decidiram, então, criar um bazar físico unindo as peças de todas. Com preços promocionais e dividindo os custos, a iniciativa poderá sair lucrativa para as empreendedoras.

A primeira edição do bazar acontecerá em São Paulo, em Pinheiros, entre os dias 3 e 5 de dezembro.

A ideia é que o espaço seja itinerante. Há planos de passar por outras cidades, como Rio e Brasília.

“Percebemos que juntas temos mais potencial para crescer, pois fazemos roupas de estilos diferentes”, explica Mariana Cestari, dona da 412Be. 

Além da 412Be, o bazar terá peças da AMIS D’ÉCOLE, da estilista Laura Borges e da advogada Mariana Biondi; da Flor, marca de Marília Carvalhinha e Renata Zampronio; e da Gabriela Sakate, marca da brasileira que já foi apontada como destaque pelo The Telegraph e pela Marie Claire UK.

O primeiro bazar do coletivo Les Amis Nomades será na Rua Cristiano Viana, 510, em Pinheiros, a partir dessa quinta-feira (3).

Mariana Cestari, proprietária e designer da 412Be, falou sobre a ideia à EXAME.com:

EXAME – A ideia de criar um coletivo surgiu por conta da crise econômica, correto? Como as marcas estavam sendo afetadas? 

Sim. O varejo como um todo está sofrendo com a crise e na moda sentimos uma diferença na atitude de compra. A atuação no online nos ajuda muito nesse momento e por enquanto não tivemos risco de fechar. Principalmente porque sentimos que as nossas clientes continuam priorizando comprar peças com tecidos nobres e design atemporal.

EXAME – Como surgiu o nome do coletivo, “Les Amis Nomades”?

O nome Les Amis Nomades (Os amigos nômades) surgiu exatamente por causa da predominância do online em todas as marcas integrantes e da necessidade de contato com o público em um espaço físico. Não teremos uma casa fixa, e pretendemos levar o coletivo para diferentes espaços e situações.

EXAME – Quais as vantagens quando se une as marcas nesse bazar?

No puro significado da palavra Coletivo, que é abranger várias pessoas e coisas, e pertencer a várias pessoas. É um grande prazer quando sentamos para conversar, trocar sobre o mercado e sobre o nosso evento. São profissionais que vieram de diferentes mercados, experiências e repertórios muito ricos. Saber ouvir é um dos maiores aprendizados não só para superar a crise, mas para poder crescer e ampliar a nossa visão.

EXAME – A inspiração veio de algum lugar? Já viram outras marcas fazendo isso?

Eu conheci algumas formações similares quando morei em Paris. Mas acredito que esse tipo de união faz parte de uma tendência mundial de criar uma economia mais colaborativa e forte. Tenho visto uma grande movimentação que começa no online e se concretiza em espaços colaborativos.

EXAME – Pretendem continuar com a ideia caso o bazar dê certo, mesmo que a economia “volte ao normal”?

Com certeza iremos continuar e tentaremos levar para outras cidades, como Rio de Janeiro e Brasília. Estamos estudando uma maneira de atuar no mercado internacional com o Coletivo, participando de alguns eventos de moda em Paris e Londres. Mas são planos para 2017.

EXAME – Como cada marca pode se destacar quando há outras similares ali do lado? Há alguma concorrência mesmo na parceria?

As marcas possuem coleções muito complementares. Uma cliente pode comprar uma saia da Flor e usar com uma camisa da 412Be, e uma saia da Amis dÉcole com uma blusa da Gabriela Sakate. Ela não necessariamente iria comprar a mesma quantidade em uma marca só. A compra foi mais completa por ser complementar. Por isso acreditamos muito neste formato.