Hoje é Black Friday. Mas também é Dia de Não Comprar Nada

Não vai comprar nada nesta sexta-feira negra? Você não está sozinho. Conheça o movimento global que é a antítese do maior evento do varejo

São Paulo – Se a Black Friday não faz sua cabeça e se você está decidido a não comprar nada o dia inteiro, saiba que não está sozinho. Como forma de protesto contra os arroubos consumistas, milhares de pessoas no mundo participam de outro movimento nesta “sexta-feira negra”, o Buy Nothing Day, mais conhecido como Dia Mundial sem Compras.

O movimento defende que este 23 de novembro seja um momento para deixar o impulso consumista de lado e pensar sobre o impacto que estamos causando ao meio ambiente.

Não à toa, a data coincide com a realização da Black Friday, dia em que centenas de milhares de lojas e marcas fazem promoções tentadoras de olho nas festas de fim de ano.

O conceito foi inventado pelo artista canadense Ted Dave e desde então tem sido promovido pela ela organização canadense AdbustersMedia (adbusters.org), que estava por trás do protesto Occupy Wall Street de 2011.

Popularizado na América do Norte antes de se espalhar pelo mundo, o Dia Sem Compras é um convite para a sociedade examinar a questão do consumo exagerado e os problemas associados a ele. A ação ganhou as redes sociais:

O ano nem terminou e já esgotamos uma Terra

No dia 1º de agosto, a humanidade superou o orçamento do meio ambiente para o ano, passando a operar no vermelho, segundo dados da Global Footprint Network (GFN), uma organização de pesquisa que mede a pegada ecológica do homem no Planeta. Pior, entramos no vermelho cada vez mais cedo.

Em oito meses, esgotamos todos os recursos que a Terra é capaz de oferecer de forma sustentável no período de um ano, desde a filtragem de gás carbônico (CO2) da atmosfera até a produção de matérias-primas para fabricação de bens de consumo.

À medida que aumenta nosso consumo, cresce a nossa dívida ecológica. Em termos planetários, os resultados dos juros que pagamos se tornam mais claros a cada dia. Eles se traduzem na perda de bens e serviços ambientais, desequilíbrio climático, na redução de florestas, perda de biodiversidade, colapso de recursos pesqueiros, escassez de alimentos, redução da produtividade do solo e acúmulo de gás carbônico na atmosfera.