Facebook admite: pagou empresa para difamar o Google

Pouco aceita pelo mercado, prática pode respingar na imagem da Burson-Marsteller, a empresa contratada

São Paulo – Tudo caminhava bem demais para a rede de Mark Zuckerberg. Fenômeno das redes sociais, 600 milhões de fiéis seguidores e uma marca cada vez mais valorizada. Mas na briga da tecnologia, o Facebook apelou.

A rede social admitiu nesta quinta-feira ter contratado secretamente a Burson-Marsteller, grande empresa de relações públicas, para plantar notícias ofensivas contra o Google nos EUA, informa o site Mashable.

Em comunicado emitido na tarde desta quinta-feira, a filial brasileira da B-M confirmou o contrato secreto, embora tenha frisado que a prática “contraria as suas políticas”.

A estratégia usada pela empresa nos EUA foi procurar um blog influente do setor e convidar jornalistas da grande mídia a investigar o Google sobre questões relacionadas à privacidade de dados dos usuários.

A B-M ainda afirmou que batalharia por repercussões das notícias em veículos como o The Washington Post, Politico e HuffP.

A prática, porém, não foi bem aceita. O blogueiro Chris Soghoian foi um dos procurados, mas se recusou a fazer o trabalho e divulgou os e-mails enviados pela agência de RP.

Como o nome do cliente não havia sido divulgado, várias suspeitas começaram a ser levantadas e chegou-se a se especular sobre a Apple e a Microsoft.

A empresa de RP informou aos seus contatos jornalísticos que uma ferramenta do Google denominada círculo social foi “concebida para raspar os dados privados e construir profundamente os processos pessoais de milhões de usuários em uma violação direta e flagrante do acordo [Google] com a FTC.”

Além disso, a Burson alegou que “o povo americano deve estar ciente das intrusões do Google na vida pessoal, na catalogação e difusão de cada minuto do dia sem a sua permissão”.


Um porta-voz do Facebook alegou que o Google não estaria respeitando dados privados de usuários e falou da insatisfação com as tentativas do gigante das buscas de utilizar os dados do Facebook no serviço da rede social concorrente. 

A situação não mancha só a imagem do Facebook, mas também a da Burson-Marsteller, uma grande empresa de RP que tem 58 anos de existência.

Confira abaixo a nota enviada pela agência na íntegra:

“Agora que o Facebook veio a público, a Burson-Marsteller está autorizada a confirmar que foi contratada para prestar serviços a essa empresa nos Estados Unidos.

O cliente pediu que seu nome ficasse em sigilo com base no fato de que estava contratando a B-M para lançar luz sobre informações de domínio público e de que essas informações poderiam ser facilmente replicadas pela mídia de maneira independente.

Todas as informações fornecidas à mídia eram, efetivamente, de domínio público e poderiam, portanto, gerar questionamentos pertinentes e ser verificadas por meio de fontes independentes. 

Não obstante a justificativa, este não é um procedimento aceito na Burson-Marsteller e contraria nossas políticas. Deveria, por essa razão, ter sido recusado.

Nossa relação com os meios de comunicação é pautada por padrões estritos de transparência no que tange aos clientes, e este incidente reforça a inquestionável importância desse princípio.”

Com informações do The Daily Beast.