Copa Libertadores, um grande negócio

Em cerca de quatro meses e só 14 jogos, a equipe campeã deve faturar no mínimo 18 milhões de reais

São Paulo – Santos e Vitória disputam nesta quarta-feira, em Salvador, o título da Copa do Brasil – considerado o caminho mais fácil para os brasileiros disputarem a Libertadores da América, competição que os clubes priorizam durante o primeiro semestre, de olho no Mundial da Fifa, no final do ano.

Por isso reforçam elencos e costumam abrir mão de seus titulares em outros torneios para que eles estejam 100% preparados para a competição internacional. Exemplo disso é o Santos, que usou times mistos em partidas do Brasileirão para contar com a força máxima contra o Vitória na final da Copa – afinal, o Campeonato Brasileiro mal havia começado. E todos os times fazem o mesmo, se concentram na competição em que estão melhor posicionados, mirando a Libertadores.

E não é para menos: a Libertadores ajuda a reforçar o caixa com números bem generosos. Em cerca de quatro meses e só 14 jogos, a equipe campeã fatura no mínimo 18 milhões de reais.

O torneio entre as equipes sul-americanas é organizado pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), que paga valores diferentes para cada fase da competição. Na fase de grupo, na qual cada time joga seis partidas, as equipes recebem 110.000 dólares (cerca de 193.000 reais) por jogo. A partir daí, são sempre dois jogos – ida e volta – e os valores são crescentes: 150.000 dólares (263.000 reais) nas oitavas; 190.000 dólares (333.000 reais) nas quartas; 260.000 dólares (455.000 reais) nas semis.


O vice-campeão fatura 500.000 dólares (875.000 reais) e o campeão engorda sua conta em 2 milhões de dólares (3,5 milhões de reais). Fora o prêmio por participação, os clubes que jogam em casa ainda ganham com as propagandas estáticas: na primeira fase, são 10.000 dólares (17.500 reais); nas oitavas, 30.000 dólares (52.500 reais); nas quartas, 40.000 dólares (70.000 reais); semis e final, 50.000 dólares (87.500 reais).

Além dos valores pagos pela Conmebol, as equipes ficam com 90% da bilheteria dos jogos que fazem em casa – cada partida tem renda média de 1 milhão de reais. Os outros 10% vão para a confederação. Os times que disputam a final lucram ainda mais. Segundo Osvaldo Vieira, diretor financeiro do São Paulo – que disputa a semi-final de 2010 contra o Internacional – , o preço médio de um ingresso na final da Libertadores é de no mínimo 75 reais, quase 40% mais caro que nas outras partidas.

E ainda tem mais. A cada fase, os patrocinadores pagam bônus aos clubes, em média 10% a mais no valor do contrato de patrocínio. A exposição da marca em território internacional também interessa aos clubes. Julio Casares, vice-presidente de Comunicação e Marketing do São Paulo, diz que “a Libertadores tem diferenciais e o impacto econômico vem por outras vias, como a venda de outros produtos licenciados pelo clube, além das camisas.” “Mais que isso, o importante é ter a marca estampada internacionalmente, os ganhos são imensos em relação aos royalties e ao aquecimento da torcida; o mais importante é o ganho institucional da marca”, diz o dirigente.


A imagem institucional é reforçada e também mais um bom dinheiro é garantido se a equipe ainda disputar o Mundial de Clubes de Fifa, torneio que leva os campeões da Libertadores, da Ásia, da África, da Europa (Inter de Milão), da Concacaf (Pachuca do México), da Oceania (Hekari United, da Papua Nova Guiné) e o campeão do país-sede (Al-Wahda, dos Emirados Árabes) a brigarem por 16,5 milhões de dólares de premiação total (cerca de 29 milhões de reais).

O campeão do Mundial de Clubes fatura 5 milhões de dólares (cerca de 8,75 milhões de reais); o vice, 4 milhões de dólares (7 milhões de reais); o terceiro, 2,5 milhões de dólares (4,4 milhões de reais); quarto, 2 milhões de dólares (3,5 milhões de reais); quinto, 1,5 milhão de dólares (2,6 milhões de reais); sexto, 1 milhão de dólares (1,75 milhão de reais) ; e o último, 500.000 dólares (875.000 reais).

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