Como uma patinada da Record no Pan pode prejudicar as Olimpíadas

Audiência mediana e derrapadas na cobertura desagradam o público e interferem na visibilidade dos patrocinadores

São Paulo – Os direitos de transmissão dos Jogos Pan-Americanos foram comprados por US$ 10 milhões pela Rede Record. Fora isso, a cobertura ainda envolve três satélites exclusivos, transmissão totalmente em HD e mais de 200 profissionais em solo mexicano. Um investimento alto, que cobra retorno.

O problema é que apesar de mexer em boa parte de sua grade de programação para fazer a cobertura, a emissora tem esbarrado em um fator importantíssimo que justifica – ou deveria justificar -, além de todos os gastos da própria emissora, os R$ 124 milhões – valor de tabela – pagos por cada um dos seus 11 patrocinadores: audiência.

A pressão cresce ainda mais sob o peso das Olimpíadas de Londres no ano que vem, que serão também de responsabilidade da Record.

Um desempenho mediano depois de tanto investimento – da rede e dos patrocinadores que pagaram pelo pacote Olimpíadas + Pan – pode começar a influenciar desde agora a audiência do evento de 2012 e, em cascata, a visibilidade dos anunciantes.

Desempenho

Os Jogos, que começaram na última sexta-feira, não causaram grande alvoroço na média diária de pontos da Rede. No primeiro dia, quando a abertura do evento foi exibida, a emissora marcou média de oito pontos na Grande São Paulo, segundo prévia do Ibope, ficando atrás da Globo.

No domingo, a média da emissora ficou semelhante à das semanas anteriores no horário e perdeu até mesmo o habitual segundo lugar, ficando atrás do SBT. Enquanto a Globo registrou uma média diária de 14 pontos, o SBT alcançou 9,9, e a Rede Record, 9,6.
 


Se a média diária não se alterou muito, nos resultados isolados há picos. No domingo, por exemplo, a Rede chegou a passar a Globo por mais de uma hora ao exibir as duas vitórias de César Cielo na natação. A ultrapassagem se repetiu durante as provas de ginástica rítmica, superando a transmissão da prova de Stock Car na rival.

Os bons números isolados, porém, deixam à mostra uma questão: a audiência nesses horários é puxada por atletas e esportes de prestígio, nos quais já se deposita grande expectativa e curiosidade, e não no evento em si, que tem gerado, inclusive, menos repercussão do que o comumente alcançado. Parte disso pode ser explicado por um velado boicote movido pela Rede Globo.

Patrocínios

Nesta semana, atletas chegaram a cutucar a emissora da família Marinho, justificando que ignorar o evento pode prejudicar o desempenho do esporte no Brasil: com menos visibilidade, a chance de atrair patrocínios cai junto.

Para os próprios patrocinadores da Record na transmissão, o boicote também não soa positivo:

“É interessante quando se tem mais emissoras participando, porque aumenta a visibilidade para o evento, e obviamente vai demandar um trabalho melhor de cada emissora para buscar audiência”, disse Douglas Costa, diretor de marketing e relações com o mercado do Grupo Petrópolis, uma das marcas patrocinadoras. “De forma isolada, acho que isso não beneficia tanto o evento e não tem uma penetração tão grande, caso mais emissoras estivessem participando.”  



Para a Petrópolis, apesar de satisfatória, a audiência média do evento não está conforme o esperado. “Acho que não é relacionado à própria transmissão, mas sim à relevância dos Jogos, que ainda estão em um processo crescente no Brasil”.

Repercussão

Em redes sociais como o Twitter, os Jogos foram intensamente comentados nos primeiros dias e dividiram opiniões. Muitos usuários do microblog destacaram que deixaram de acompanhar o evento devido à transmissão pela Record.

Outros, ainda, criticaram a postura da Rede Globo de se manter calada. A briga das emissoras chegou a levar o termo “Pan-Americano” para os trending topics por mais de um dia – publicidade que, neste caso, mais atrapalha do que ajuda os planos da Record de se firmar como uma TV com bons eventos esportivos.