Com parque Star Wars e outras ações, Disney quer fisgar madurões rentáveis

Disney tem buscado ampliar suas bases de clientes nos últimos anos, criando atrações e eventos voltados para adultos e casais sem filhos

Doug Ridley se lembra de ter visto o primeiro “Star Wars” quando o filme foi lançado em 1977 e de ter colecionado todos os brinquedos que conseguiu convencer seus pais a comprar.

Agora, com 47 anos, o advogado criminalista frequentemente veste um uniforme stormtrooper com seu fã-clube e planeja ser um dos primeiros convidados do Star Wars: Galaxy’s Edge, quando o parque de diversões for inaugurado na Disneylândia em 31 de maio.

Não vai sair barato. Além de reservar dois quartos de hotel da Disney, em Anaheim, Califórnia, que vão custar US$ 800 por noite naquele fim de semana, Ridley planeja gastar muito mais em sabres de luz, construir seus próprios droides e outros souvenires, provavelmente estourando seu orçamento anual para viagens.

“No ano passado, fomos para a Irlanda no verão”, brincou Ridley. “Este ano, vamos ao Galaxy’s Edge em um fim de semana.”

Ridley representa um grupo demográfico potencialmente lucrativo: fãs mais velhos e mais abastados do que os típicos pais jovens que empurram carrinhos de bebê para tirar foto com a Cinderela. Com dinheiro para gastar e tempo para viajar o ano todo, esse grupo vai ajudar a tornar o investimento da Disney na franquia Star Wars um sucesso ainda maior.

A Disney e outras operadoras de parques temáticos têm buscado ampliar suas bases de clientes nos últimos anos, criando atrações e eventos voltados para adultos e casais sem filhos. Esse perfil aumentou a frequência fora das estações de primavera e verão, segundo Bobby Palta, especialista no setor da corretora imobiliária CBRE.

Em Anaheim, a Disney estendeu seu festival anual de alimentação e vinho no parque California Adventure por quase duas semanas, para um total de 54 dias em março e abril. Opções de restaurantes mais sofisticados foram adicionadas aos parques, além de um shopping center adjacente da Disney. Um evento noturno de US$ 99, o 90s Nite 90, teve as entradas esgotadas na Disneylândia em março, com apresentações de personagens especiais e música até a 1h da manhã.

As mudanças espelham o que está acontecendo de forma generalizada na região, disse Jay Burress, chefe da secretaria de turismo de Anaheim. Uma praça de alimentação de luxo em uma antiga fábrica de embalagem de citrinos atrai turistas e moradores locais, enquanto dois hotéis de alto padrão, um JW Marriott e um Westin, devem ser inaugurados no ano que vem.

“Durante anos, aqui era conhecido como um lugar de redes de restaurantes para famílias”, disse Burress. Agora, graças às mudanças que a Disney e outras empresas estão fazendo, “estão atraindo um público diferente, novo em muitas maneiras, o que é fantástico”.

A Disney não revela dados sobre visitantes do parque, mas números da secretaria de turismo ilustram as mudanças. A renda média dos 24 milhões de visitantes de Anaheim aumentou, com 47% ganhando mais de US$ 100 mil por ano em 2018, acima da parcela de 40% com essa renda em 2012. Mais da metade viajava sem filhos, uma mudança em relação a cinco anos atrás, quando as famílias respondiam pela maior proporção de visitantes.