CEO da Under Armour elogia Trump e marca sofre duro revés

Após elogiar Trump, atletas como LeBron James e Stephen Curry criticaram durante o governo e a marca; Curry ameaçou encerrar parceria

São Paulo – Em uma época de polarização política nos EUA e intensas críticas ao governo de Donald Trump, uma marca se ligar ao presidente pode trazer problemas.

Algumas marcas estão criticando abertamente Trump, o que traz elogios de muitos americanos (e críticas de muitos outros), como Dove e Corona.

Outras, ao fazerem algum tipo de elogio ao governo, discretos ou não, acabam recebendo uma avalanche de críticas e pedidos de boicote.

Aconteceu, por exemplo, com a New Balance.

Uma frase mal interpretada de Matt LeBretton, vice-presidente de relações públicas da marca, fez com que consumidores queimassem os seus tênis e jurassem comprar qualquer calçado pelo resto da vida, menos um New Balance.

A última polêmica envolve a gigante esportiva Under Armour.

O CEO da marca, Kevin Plank, deu uma entrevista ao canal CNBC, no último dia 8, onde elogiava o governo: “Ter um presidente tão pró-negócio é algo de valor para o país. Pessoas podem aproveitar essa oportunidade”.

Plank também disse que admirava Trump por ele agir rapidamente, sem se prender tanto a “detalhes”, a coisas menores.

“Ele quer construir coisas, quer tomar decisões sérias, quer ser decisivo. Sou um grande fã de pessoas que operam desse modo, em vez de apenas pensar, pensar, pensar, pensar”, disse.

Plank esteve na Casa Branca, em janeiro, para um encontro de negócios com Trump.

Ele e outros executivos se reuniram para discutir medidas para incentivar a volta de trabalhos do setor manufatureiro para dentro dos EUA e, assim, frear a terceirização a países asiáticos.

Detalhe: a Under Armour produz cerca de 2/3 de seus produtos em países como China, Jordânia e Vietnã. PLank diz querer mudar isso.

Problemas

Tal declaração foi o suficiente para trazer problemas sérios para dentro da Under Armour.

Além dos xingamentos, críticas e boicotes de consumidores em redes sociais, as críticas vieram do mundo esportivo.

A marca, que tem entre seus garotos-propaganda e atletas patrocinados pessoas do nível de Serena Williams, Gisele Bündchen e Michael Phelps, viu dois atletas famosos a criticarem duramente.

Primeiro foi LeBron James, a maior estrela do basquete americano da atualidade e atleta que atrai centenas de milhões de dólares.

James deixou claro que não apoia Trump em declaração recente: “Eu estou ao lado de muitos, muitos americanos que acreditam que isso [política que bane imigrantes] não representa os valores dos Estados Unidos”.

Depois, foi a vez de Stephen Curry, astro do Golden State Warriors e patrocinado pela Under Armour. Ele ameaçou encerrar seu contrato com a marca.

Disse sobre a entrevista do CEO: “Concordo com esta descrição sobre Trump. Se você remover o ‘et’ de ‘asset'”, transformando a palavra asset (ativo, valor) em um palavrão e xingamento “ass”.

Curry afirmou que Plank e Trump até poderiam ter uma relação próxima, desde que a marca não compartilhasse dos valores do presidente americano.

Disse que, se percebesse que a presidência da Under Armour não está mais alinhada com seus valores, ele “pularia fora”.

No meio dessa polêmica, quem se deu bem foi a Nike (a marca que a Under Armour tanto quer superar).

O CEO Mark Parker divulgou, após Trump aprovar a medida que bania imigrantes (muçulmanos), uma carta pública onde condenava a ação.

Defesa

A Under Armour acabou se defendendo das críticas, em nota oficial.

Disse que tem funcionários e “companheiros de time” de diferentes religiões, raças, nacionalidades, gêneros e orientações sexuais.

Também disse: “We engage in policy, not politics”, defendendo uma diferença entre apoiar uma “medida”, uma “política”, e apoiar a Política de Trump, com P maiúsculo, ou seja, o governo. Uma linha tênue.