App Buser, o “Uber dos ônibus”, vai dar 10 mil viagens gratuitas

A despeito das turbulências jurídicas e críticas das empresas de transporte rodoviário, serviço que conecta passageiros a operadoras de ônibus acumula fãs

São Paulo – A startup Buser, conhecida como “Uber dos ônibus”, vai dar 10 mil viagens gratuitas como parte de uma campanha de “degustação” do serviço. Fundada em 2017, a companhia conecta passageiros a operadoras de ônibus e afirma que viagens intermunicipais e interestaduais reservadas por sua plataforma custam até 50 por cento menos que passagens compradas em rodoviárias.

Com a promoção, o app espera aumentar sua base de usuários no sudeste e sul do país. Mais de 20 cidades são contempladas, entre elas Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba e Florianópolis.

Para participar, o usuário deve se cadastrar pelo site da Buser, juntar-se a um grupo de viagem já formado ou criar o próprio grupo com o destino e a data desejada. Ao atingir o número mínimo de viajantes, o trajeto é confirmado.

A promoção vale para quem agendar a viagem até às 23:59 de sexta-feira (24), ou até durarem as vagas. Cinco mil usuários serão contemplados, com  duas reservas, uma de ida e volta, obrigatoriamente.

Segundo a startup, mais de 100 mil passageiros já viajaram por meio da plataforma, que possui 700 mil cadastrados. Sem abrir números, a empresa afirma que as operações estão em constante crescimento.

A Buser já recebeu aporte de cinco fundos: Canary (dos fundadores da Loft),  Yellow Ventures (do fundador do iFood); Fundação Estudar Alumni Partners (dos bolsistas da Fundação Estudar); Monashees (investidora da 99, Loggi, Rappi, entre outras) e Valor Capital (investidora da Stone, Gympass, GuiaBolso, entre outras). Os valores não são divulgados.

O preço “camarada”, que varia dependendo do número de passageiros que rateiam o frete, também ajuda. “Quanto mais pessoas viajando, dentro dos limites de cada veículo, mais barato o valor individual do rateio”, diz a empresa em nota ao site EXAME.

Os trechos Belo Horizonte-São Paulo e Rio de Janeiro-São Paulo são os mais populares, mas o serviço também está disponível em cidades do interior do Sudeste. A meta é chegar a todos os estados do país até o final deste ano.

Turbulências no caminho

Assim como os aplicativos de transporte individual, a Buser não depende de concessões. E por isso também é alvo de críticas. 

O serviço é questionado legalmente por sindicatos que representam empresas de transporte de passageiros. A primeira tentativa de viagem, em julho de 2017, em Minas Gerais, foi impedida. Na ocasião, o sindicato das empresas de transporte de passageiros local obteve liminar para barrar o serviço. 

Está nas mãos do Supremo Tribunal Federal (STF) decidir sobre a legalidade do serviço.

“Acreditamos que conseguiremos demonstrar, na Justiça, a legalidade de nosso modelo. Já temos, inclusive, uma decisão da Justiça Federal de São Paulo que reconhece a legalidade do modelo de negócios de fretamento coletivo da Buser. E o ministro Edson Fachin, do STF, não concedeu uma liminar que pedia a suspensão das decisões que autorizam o funcionamento da Buser”, diz a Buser. 

A empresa destaca que trabalha apenas com prestadores de serviço qualificados e autorizados pela ANTT, a agência reguladora do setor. É exigido que essas empresas cumpram todas as normas de segurança, tenham seguro para os passageiros, autorização para realização das viagens, motoristas profissionais, veículos inspecionados, emissão da notas fiscais, declaração das rotas e outros quesitos.

A Buser cobra do operador do ônibus uma taxa que varia de 0 a 20 por cento do valor de cada viagem, dependendo do número de passageiros por veículo.