Após incertezas, Cine Belas Artes, em SP, anuncia novo patrocinador

Valor do contrato de cinco anos com a cerveja Petra não foi divulgado, mas é superior ao anterior, com a Caixa. Vem aí o "Petra Belas Artes"

São Paulo – Após perder o patrocínio da Caixa Econômica Federal, em fevereiro deste ano, o tradicional cinema de rua paulista Cine Belas Artes viveu dias de incerteza a procura de um novo padrinho. Felizmente, a angústia durou pouco.

Na manhã desta quinta-feira, André Sturm, diretor do cinema, anunciou a nova parceria com a cervejaria Petra, pertencente ao Grupo Petrópolis. 

O valor do contrato não foi divulgado, mas é superior ao anterior da Caixa Econômica Federal, e “bastante expressivo”, segundo Sturm. Suficiente para garantir o pagamento do aluguel do espaço (estimado em R$ 2 milhões por ano) e demais operações do cinema situado ao lado do metrô Paulista, em endereço nobre da cidade.

Segundo ele, a empresa procurou o cinema e só impôs uma condição, de que o contrato fosse de 5 anos e não de 3, como inicialmente proposto no contrato. 

“O investimento é totalmente feito com recursos do marketing da empresa, sem nenhum benefício fiscal, o que valoriza ainda mais essa parceria. Isso mostra a compreensão do valor que a cultura tem para o país, que não é só porque tem algum benefício fiscal que a empresa vai querer investir”, disse Sturm, em referência à Lei Rouanet, do qual se declarou um defensor.

Assim como no patrocínio anterior com a Caixa, o contrato envolve a venda de “naming rights”, com isso, o nome do cinema mudará para “Petra Belas Artes”.   

“Acreditamos que todas as empresas deveriam ter em seus planejamentos e pautas, discussões sobre esses espaços culturais públicos para engrandecê-los. Espaços como o Belas Artes são responsáveis por construir cidadãos melhores”, declarou Eliana Cassandre, gerente de Propaganda do Grupo Petrópolis. 

Com seis salas de projeção, o Belas Artes foi eleito o melhor cinema de rua e o detentor da melhor programação alternativa de São Paulo, segundo pesquisa Datafolha.

O fim do patrocínio da Caixa ocorreu na esteira de uma série de revisões que o governo Bolsonaro realizou nos programas de financiamento estatal à cultura do país.