Como a Tecsis aproveita os bons ventos da energia brasileira

Considerada pela revista americana Fast Company uma das dez empresas mais inovadoras da América Latina, a Tecsis aproveita os bons ventos do setor de energia no Brasil

Considerada pela revista americana Fast Company uma das dez empresas mais inovadoras da América Latina, a Tecsis aproveita os bons ventos do setor de energia no Brasil. Segunda maior fabricante de pás para turbinas eólicas do mundo, a empresa de Sorocaba (SP) está investindo 100 milhões de reais na construção, para 2014, de uma fábrica próxima a Camaçari (BA). Com isso, ela ficará mais próxima de novos compradores e poderá desafogar a distribuição das gigantescas peças de até 9 toneladas que produz, toda concentrada nas rodovias e no Porto de Santos.

O movimento para o Nordeste, depois de 17 anos e 30 000 pás construídas na cidade paulista, é estratégico para aproveitar o crescimento do mercado interno – é na região que há o maior potencial de aproveitamento dos ventos, e 64% da capacidade instalada até agora. De acordo com os mapas eólicos desenvolvidos pelo Centro Brasileiro de Energia Eólica, os ventos brasileiros têm boa velocidade, baixa turbulência e boa uniformidade. Isso significa que o vento pode ser aproveitado por mais tempo: em alguns parques brasileiros, o chamado fator de capacidade de geração – a quantidade de horas em que as turbinas efetivamente geram energia durante o ano – chega a 50%. No mundo, o fator de capacidade médio de geração eólica não chega a 20%, enquanto, no Brasil, o indicador foi de 34% em 2012.

Esse potencial todo começou a se realizar, e a participação da energia eólica na matriz energética brasileira deve saltar, segundo previsões do governo federal, de 1,7% hoje para ao menos 5,5% em 2017 e 7,7% em 2021. Só em 2012, o setor cresceu 73%, o que tem se traduzido em mais negócios para as empresas do setor. De acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), a compra de equipamentos de energia eólica deve movimentar 25 bilhões de reais nos próximos cinco anos.

As oportunidades vêm chamando a atenção de muitas empresas estrangeiras também, já que o Brasil deve acabar 2013 com 4 GW de capacidade instalada, o que colocaria o país em décimo lugar entre os maiores produtores desse tipo de energia. Mas se já há bastante concorrência para a fabricação de pás, torres e turbinas, são necessários novos investimentos na construção da infraestrutura para levar a energia gerada pelo vento ao consumidor final. Há pelo menos três usinas de energia eólica prontas no Nordeste que estão desligadas há quase um ano por falta de linhas de distribuição. Para evitar esse tipo de problema, no próximo leilão do setor, previsto para agosto, o Ministério de Minas e Energia irá condicionar as concessões de novos parques à capacidade de distribuição.

Se os moinhos gigantes começam a se tornar mais comuns na paisagem e a diversificação da matriz energética é assunto cada vez mais em pauta, é importante lembrar como esse movimento é recente e aconteceu rapidamente: a produção de energia eólica no Brasil aumentou 70 vezes entre 2005 e 2012. O momento da virada foi o leilão do governo federal em 2009, que contratou 753 projetos de geração de energia eólica, criando muitas oportunidades no setor. Pelo seu impacto, a licitação federal foi apelidada de “pré-sal de ventos” por Bento Koike, fundador da Tecsis, que deixou a presidência para focar a área de desenvolvimento de produto e novos projetos no início deste ano. Hoje a Tecsis destina um quarto da sua produção para os compradores nacionais.

O aquecimento do mercado interno veio em ótima hora para a Tecsis, já que a crise global de 2008 afetou o nível de encomendas externas. Para aproveitar melhor as oportunidades locais, a empresa teve um aporte de capital para investimento e uma grande reestruturação organizacional. Novos processos e a utilização de profissionais com expertise em outras áreas da indústria brasileira, como a de montadoras de veículos, fizeram com que a Tecsis tivesse um ganho de produtividade de 45%.

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