Weinstein responde que acusações de Salma Hayek “não são exatas”

No texto para o NYT, a atriz denunciou que em 2001 foi abusada múltiplas vezes e pressionada a gravar cenas de sexo no filme "Frida"

Nova York – O produtor de Hollywood Harvey Weinstein respondeu nesta quinta-feira as acusações de assédio sexual da atriz mexicana Salma Hayek, garantindo que o relato feito por ela “não é exato” e que “não se lembra” de ter pressionado para que gravasse uma cena nua.

“Todas as acusações de natureza sexual, tal como foram retratadas por Salma, não são exatas. E outras pessoas que foram testemunhas desses fatos têm uma lembrança diferente do que ocorreu”, disse Weinstein em comunicado enviado aos veículos de imprensa.

Hayek publicou ontem no “The New York Times” uma coluna intitulada “Harvey Weinstein também é meu monstro”. No texto, ela denunciou que em 2001 foi abusada múltiplas vezes e pressionada a gravar cenas de sexo no filme “Frida”.

Além disso, denunciou que em uma ocasião Weinstein chegou a ameaçar matá-la. “Te matarei, você não acredita do que sou capaz de fazer”, teria afirmado o famoso produtor. Ela também teve que negar várias propostas indecentes feitas por ele.

Weistein respondeu que “não lembra” ter pressionado Hayek para que gravasse uma cena sexual “gratuita” com a atriz Ashley Judd, mas que ela era “parte da história” porque Frida era “bisexual”.

A atriz mexicana também denunciou uma crítica feita por Weistein a ela por interpretar Frida Kahlo com sua tradicional monocelha. No comunicado, o produtor responde que isso foi um problema porque “desviava a atenção do espectador da atuação”.

Weinstein admitiu que no filme, uma produção de mais de US$ 12 milhões, na qual a Miramax, empresa do produtor, investiu a metade do dinheiro, houve “fricção criativa”. Isso, segundo ele, serviu para levá-lo à perfeição.

O produtor afirmou que, naquela época, a atriz Jennifer López também estava interessada em interpretar Frida e era uma “estrela maior”. No entanto, Weistein apoiou que Hayek fosse protagonista, ignorando a opinião de outros investidores.

Hayek relatou também que quando o produtor viu o filme já editado disse que ele não era suficientemente bom e ameaçou não colocá-lo nos cinemas, mas aceitou fazer um novo teste de audiência, ficando enfurecido quando os resultados foram bastante favoráveis.

Weinstein confessou hoje que esse comportamento grosseiro ocorreu porque ele estava decepcionado com os cortes que foram feitos no filme, motivo que o levou a adotar “mão firme” com a edição final junto à diretora Julie Taymor.

Por fim, Weinstein disse que considera Hayek uma atriz de “primeira categoria”, que a incluiu em vários de seus filmes, e que ficou muito orgulhoso por sua indicação da Academia de Hollywood por “Frida” e que continua “apoiando seu trabalho”.