Volkswagen Beetle: sete décadas de história e o fim de uma era

No México, o último Beetle saiu da fábrica; a Volkswagen se despede do histórico carro, mas já pensa em versões elétricas

São Paulo – O fim de uma era. Ontem (10), a Volkswagen produziu o seu último Beetle, que saiu de uma fábrica em Puebla, no México. Em sua terceira geração, o Beetle foi um dos carros mais icônicos a rodar por ruas e estradas em seus 74 anos de vida. Nessa semana, ele se despediu para sempre ao som de mariachis e aplausos dos trabalhadores da fábrica.

De 1945, quando começou a ser produzido na Alemanha logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, até 2019 foram 21 milhões de unidades vendidas. No Brasil, o Beetle virou Fusca e só vendeu menos que na Alemanha, onde contava com a força da VW em terras natais, e nos Estados Unidos, onde a força do consumo do “American way of life” impulsionou as vendas nos anos 50 e 60 – além disso, o filme “The Love Bug”, de 1968 (“Se Meu Fusca Falasse”, no Brasil), popularizou o modelo com o carismático personagem Herbie, marcando a cultura pop.

A história do Beetle começou em 1932, na Alemanha às vésperas da ascensão de Adolf Hitler, quando o projetista Ferdinand Porsche desenhou o NSU Type 32, que seria a base para o Beetle. Em 1934, com Porsche desejando criar um “carro do povo alemão” (o nome Volkswagen significa “veículo do povo” em alemão), um contrato foi assinado com o governo nazista. Hitler, já no poder, participou da criação do carro. Ele exigia que o veículo fosse robusto e barato para dominar as ruas. A ideia era que o carro fosse tanto militar quanto civil. O designer austríaco Erwin Komenda cuidou do desenho da carroceria.

Os primeiros protótipos datam de 1936. Em 1938, chegava às ruas o KDF-Wagen. Os trabalhadores alemães conseguiam adquirir o carro através de um tipo de consórcio. A produção, contudo, parou com o início da Segunda Guerra Mundial.

Adolf Hitler na inauguração da fábrica do carro que depois se chamaria Beetle na Alemanha Adolf Hitler na inauguração da fábrica do carro que depois se chamaria Beetle na Alemanha

Adolf Hitler na inauguração da fábrica do carro que depois se chamaria Beetle na Alemanha (Volkswagen/Divulgação)

Em 1945, com o fim do conflito, os ingleses decidiram retomar a produção do modelo, dessa vez com o nome VW Tipo 1, depois Beetle (besouro), como forma distanciar o carro de Hitler. A palavra, tão popular, acabaria influenciando o nome da banda mais famosa de todos os tempos, The Beatles, que chegaram a se chamar Silver Beetles em suas primeiras formações.

Em 1949, com a fábrica da VW de volta às mãos alemãs, as primeiras unidades chegaram aos EUA. Na Alemanha, o sucesso da indústria automotiva ajudou o país a se reerguer da destruição da guerra.

No Brasil, o Beetle virou Sedan 1200 e, posteriormente, Fusca. Chegou ao País em 1950, em um lote importado. Até 1952, o carro começou a ser montado no Brasil, mas com peças vindas da Alemanha. A partir de 1953, a Volkswagen iniciou a produção local do carro em um galpão no bairro do Ipiranga, em São Paulo. Só em 1959 a montadora criaria a fábrica de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. O Fusca reinou no Brasil até 1986, quando a produção foi interrompida. Voltou no governo Itamar Franco, sendo fabricado entre 1993 e 1996.

Cena do filme "The Love Bug": Fusca famoso no mundo todo Cena do filme “The Love Bug”: Fusca famoso no mundo todo

Cena do filme “The Love Bug”: Fusca famoso no mundo todo (Divulgação/Divulgação)

A retomada do Beetle, batizado de New Beetle, veio em 1998, com grande sucesso. Nascia de um conceito apresentado em Detroit, em 1994, quando a VW testou novas linhas do antigo Beetle na base de um modelo Golf. Nos EUA, foram 80 mil unidades vendidas só em 1999. Com formas arredondadas menos exageradas e ar retrô, o modelo foi obra do designer J. Mays. Foi um grande sucesso, vendendo 380 mil unidades nos EUA e 500 mil globalmente. Enquanto isso, no México, a fabricação do Fusca se manteve a todo vapor até 2003, quando foi encerrada. Na Alemanha a produção já cessara desde os anos 1970.

Na esteira da nova febre Beetle, mais um filme em Hollywood, continuação do original: “Herbie Fully Loaded”, de 2005, com Lindsay Lohan, em alta à época. Não virou referência cult como o primeiro.

Em uma segunda geração, quando voltou a se chamar apenas Beetle, o carro não fez o sucesso esperado, pouco competindo com os SUVs que dominavam o mercado. Em 2018, em Los Angeles, a Volkswagen avisou que ele não seria mais fabricado a partir de 2019.

O fim pode não ser definitivo, no entanto: já há rumores que ele poderia ser ressuscitado, com novo desenho e, dessa vez, totalmente elétrico. Outra possibilidade nostálgica, dessa vez para 2022, é o relançamento do VW Bus (a famosa perua, no Brasil), em um modelo elétrico. Já um conceito da montadora, o  I.D. Buzz. 

As 65 últimas unidades fabricadas podem ser encontradas a partir de US$ 20.895 e também vêm na versão conversível. Só é possível comprá-las online.

O Beetle moderno: nova versão surgiu em 1998 e vivenciou um sucesso momentâneo O Beetle moderno: nova versão surgiu em 1998 e vivenciou um sucesso momentâneo

O Beetle moderno: nova versão surgiu em 1998 e vivenciou um sucesso momentâneo (Volkswagen/Divulgação)