Um roteiro cinco estrelas para visitar Machu Picchu

Antes de encarar a trilha até Machu Picchu, aproveite os bons restaurantes e hotéis deste vizinho estrelado, o Peru

 (Pxhere/Divulgação)

Talvez pelo fato de o Peru estar logo ali, pertinho, alguns brasileiros adiam os planos de conhecer uma das sete maravilhas do mundo: Machu Picchu, principal destaque no cardápio turístico do país.

Mas é melhor ticar esse destino da sua lista. Afinal, não é um lugar com apenas um único atrativo.

Há também a capital Lima, com mais de 9 milhões de habitantes e quatro bairros que concentram os pontos turísticos: o centro histórico, com a Plaza de Armas, ou Plaza Mayor, e construções nas redondezas, como a Catedral, o Palácio Arquiepiscopal, a Igreja de São Domingo e o Monastério de São Francisco com as famosas catacumbas; Miraflores, com badalados restaurantes e bons hotéis; San Isidro, mais tranquilo e com rede hoteleira mais refinada; e Barranco, com uma falésia sobre o Oceano Pacífico, onde a noite acontece em bares como o Juanito’s – pisco sour é a bebida oficial por lá.

Peru A capital Lima reúne a história inca com o melhor da gastronomia.

A capital Lima reúne a história inca com o melhor da gastronomia. (/)

Os dois restaurantes mais concorridos do país ficam em Lima e precisam de reservas com antecedência.

A sensação do momento é o Central, em Miraflores, considerado o melhor restaurante da América do Sul e o quinto do mundo.

Já o clássico Astrid y Gastón, do embaixador da gastronomia peruana Gastón Acurio, se mudou para uma casa de fazenda de 300 anos de história em San Isidro.

Duas atrações estão fora do circuito: o Museu da Nação, em San Borja, com maquetes de sítios arqueológicos, e o Museu Larco, em Pueblo Libre, com uma das maiores coleções pré-incaicas.

Chá de coca em Cusco

Deixando a capital para trás, rumo ao “filé” do país (Cusco, Valle Sagrado e Machu Picchu), atenção: não chegue tão empolgado, querendo subir a ladeira cusquenha até a Plaza de San Blas ou conhecer em uma tacada só as igrejas coloniais da Plaza de Armas, construídas sobre templos incas. Respire fundo – e veja como falta ar.

Antiga capital inca e capital arqueológica das Américas e Patrimônio da Humanidade da Unesco desde 1983, Cusco está a 3 326 metros de altitude, o que obriga o visitante a fazer uma aclimatação gradual e a beber boas doses de chá de coca.

 (Pxhere/Divulgação)

A dica é ficar duas noites na cidade, pois há muito o que ver e curtir. Existe certa alegria no ar: todos os turistas dali ou estão prestes a conhecer Machu Picchu ou estão voltando encantados.

A maior preciosidade inca de Cusco atende pelo nome de Qorikancha, que tem muros originais seculares e também é uma igreja, Santo Domingo.

Quando estiver com mais fôlego, hora de encarar as quatro ruínas que ficam ao norte da cidade: Saqsaywamán, Q’enqo, Pukapukara e Tambomachay.

A melhor hospedagem de Cusco? Belmond Hotel Monastério (belmond.com, com diárias a partir de US$ 405), um mosteiro de 1592 que mais parece um museu, tamanha a quantidade de obras de arte seculares.

Entre os restaurantes, destaque para o Chicha, que leva a assinatura de Gastón Acurio e inclui diversos clássicos da culinária nacional.

Peça o cuy (US$ 21), o porquinho-da-índia que é iguaria no país, levemente tostado com molho hoisin (típico da culinária chinesa) e picles de nabo e cenoura como acompanhamentos.

Trens de luxo Além de fazer o percurso entre Cusco e Águas Calientes, base de Machu Picchu, o grupo Belmond opera o Andean Explorer, o primeiro trem de luxo com cabines na América do Sul. São quatro roteiros, de até duas noites, entre Cusco, Puno, Arequipa e Lago Titicaca
(a partir de US$ 462).

Além de fazer o percurso entre Cusco e Águas Calientes, base de Machu Picchu, o grupo Belmond opera o Andean Explorer, o primeiro trem de luxo com cabines na América do Sul. São quatro roteiros, de até duas noites, entre Cusco, Puno, Arequipa e Lago Titicaca<br / (/)

Valle Sagrado sem correria

Costurado pelo Rio Urubamba, com diversos vilarejos, mercados populares e ruínas espetaculares, o Valle Sagrado é tradicionalmente visitado a partir de Cusco, em tours que pingam em vários pontos e voltam no mesmo dia.

Desde o segundo semestre do ano passado, com a instalação da nova unidade da rede chilena de hotéis Explora (explora.com, a partir de US$ 4 250 para três diárias), é possível desfrutar de uma experiência mais profunda – e sem atropelos – na região.

O conceito da rede é mesclar a visita aos principais pontos do Valle com atividades físicas, como trekking e passeios de bicicleta.

Outro diferencial é alcançar as ruínas sempre por um caminho não convencional, se possível fazendo refeições ao ar livre, em estruturas só para os hóspedes, e conhecendo artesãos que explicam com gosto os detalhes de seu ofício (como tecelãs que produzem roupas típicas com fios de alpaca).

Uma vez de volta ao hotel, nada de TV ou wi-fi no quarto. Apenas muito conforto para garantir a reposição de energias para o dia seguinte.

Trilhas fora da muvuca Para fazer a Trilha Inca para Machu Picchu, mas com conforto, a Mountain Lodges of Peru (mountainlodgesofperu.com) criou duas opções. A de Salkantay (a partir de US$ 3 240) é feita em sete dias com visuais belos de picos nevados e lagos; a de Lares (a partir de US$ 2 400), com imersão cultural, é de cinco dias.

Para fazer a Trilha Inca para Machu Picchu, mas com conforto, a Mountain Lodges of Peru (mountainlodgesofperu.com) criou duas opções. A de Salkantay (a partir de US$ 3 240) é feita em sete dias com visuais belos de picos nevados e lagos; a de Lares (a partir de US$ 2 400), com imersão cultural, é de cinco dias. (Reprodução/Revista VIP)

Em lados opostos do Valle, os dois vilarejos com ruínas mais impressionantes são Ollantaytambo, um grande forte com seu arredor habitado desde o século 13, e Pisac, com dezenas de terraços gigantes para agricultura, além de templos e tumbas.

Mas não menos acachapantes são os visuais ao chegar às Salinas: aproximadamente 4 mil piscinas decantando dezenas de quilos de sal, que escorrem em água quente da montanha.

Se a viagem terminasse por aqui, estaria ótimo. Só que não. Falta ainda o principal: Machu Picchu, a 2,4 mil metros de altitude, entre montanhas abruptas, cobertas de verde.

O lugar foi construído por volta do ano de 1440 e não funcionou nem por um século, sendo abandonado por motivos desconhecidos.

Até que, somente em 1911, com a ajuda do agricultor Melchor Arteaga, o explorador americano Hiram Bingham encontrou as ruínas intactas.

Não se preocupe em ser vizinho do Peru e pisar nesse local mais de 100 anos após a redescoberta. Tenha absoluta certeza de que também ficará extremamente extasiado.