Trailblazer evolui e fica mais barato para sobreviver

Diferentemente da parte externa, com exceção do volante, o interior não manteve nada do modelo antigo (e isso é muito bom)

Desde que lançou o Trailblazer no Brasil, em 2012, a Chevrolet vê sua principal rival nadar de braçada.

Enquanto o SUV teve 1.795 unidades emplacadas em 2015, a Toyota Hilux SW4 fechou o mesmo ano com 8.693.

No entanto, a marca quer mudar esse cenário com as alterações promovidas na linha 2017, que vão do visual à lista de equipamentos.

Para ajudar a vender mais, a marca tomou uma decisão rara em lançamentos e resolveu diminuir os preços: agora, os valores são de R$ 159.990 para a versão LTZ 3.6 V6 (que antes saía por R$ 163.790) e R$ 189.990 para a versão LTZ 2.8 turbodiesel – anteriormente ela custava R$ 192.090.

Assim como na nova S10, apenas a dianteira do Trailblazer passou por mudanças — repetindo o desenho da picape.

Com traços mais retilíneos e horizontais, o utilitário ficou, visualmente, mais largo quando visto de frente.

A grade bipartida adere à identidade de estilo já vista, além da S10, no novo Cobalt.

Os faróis também perderam as linhas arredondadas, além dos projetores, mas agora são sublinhados por leds.

De lado, apenas as barras do teto e as rodas (de 18 polegadas e acabamento diamantado) são novas, enquanto a traseira permaneceu sem qualquer alteração. A tonalidade de roxo das fotos, apesar do nome Vermelho Edible Berries, é novidade.

Assim como a S10, o Trailblazer não passou por nenhuma alteração na parte traseira (Divulgação)

Diferentemente da parte externa, com exceção do volante, o interior não manteve nada do modelo antigo (e isso é muito bom).

O painel deixou de lado as linhas arredondadas e os comandos do ar-condicionado em um controle circular, adotando formatos e composições mais convencionais e agradáveis aos olhos.

As mudanças, contudo, vão além da aparência: os materiais utilizados na cabine do Trailblazer são de melhor qualidade em relação aos utilizados no modelo antigo, com superfícies de toque macio, costuras aparentes e bons arremates. Os bancos são sempre revestidos com couro.

A principal arma do Trailblazer contra a SW4 está na extensa lista de equipamentos.

Há ar-condicionado digital com saídas para os ocupantes traseiros, faróis e lanternas de neblina, banco do motorista com ajustes elétricos, volante multifuncional, trio elétrico, retrovisores com rebatimento elétrico, sensores de estacionamento traseiros, faróis com acendimento automático, sensor de chuva, freios ABS com EBD, controle de estabilidade e tração, sistema de monitoramento de pressão dos pneus, assistente de partida em aclives e declives e seis airbags.

Interior é completamente novo e ganha materiais de melhor qualidade e toque macio. Do anterior restou apenas o volante (Divulgação)

Entre as novidades, o SUV tem a central multimídia MyLink 2, que incorpora GPS e suporte às plataformas Android Auto e Apple CarPlay, sensores de estacionamento dianteiros, câmera de ré, retrovisor interno eletrocrômico, direção elétrica, acionamento do motor pela chave, alerta de colisão frontal, direção elétrica, alerta de saída involuntária de faixa, alerta de pontos cegos e de movimentação cruzada, útil para a saída (de ré) de vagas, alertando para a aproximação de um veículo perpendicularmente.

Os dois últimos equipamentos são exclusivos do Trailblazer em relação à S10.

Também é novidade o sistema OnStar, com assistência para auxílio em percursos, pontos de interesse, informação e notícias.

A tecnologia inaugura ainda as funções de modo valet, modo movimento (que alerta também em caso de guinchamento do veículo, orientado pela inclinação da carroceria) e rodízio (com alerta em cidades com o esquema de trânsito ao se aproximar ou dar partida do veículo no dia e nos horários das restrições de rodagem).

Chevrolet TrailblazerCentral multimídia é a segunda geração do MyLink, que incorpora GPS, Android Auto e Apple CarPlay (Divulgação)

Impressões ao dirigir

O Trailblazer continuará sendo vendido em versão única de acabamento (LTZ), com capacidade para 7 ocupantes, porém com duas motorizações diferentes: V6 3.6 a gasolina e 2.8 turbodiesel.

Aqui falaremos sobre a configuração V6, com 277 cv de potência e 35,7 mkgf de torque, e câmbio automático de seis velocidades. A tração 4×4 é de série.

O modelo ficou 13 kg mais leve, passou por alterações no conjunto de freios, amortecedores e coxins e adotou vidros de maior espessura que prometem a redução de até 6% no ruído que invade a cabine. 

As linhas retas e horizontais alargam visualmente o SUV (Divulgação)

Em movimento, a evolução do modelo é gritante. A direção elétrica se mostra muito mais precisa e menos sensível aos desnivelamentos do solo, permitindo manobras com maior facilidade e transmitindo maior segurança ao motorista.

Os novos ajustes de suspensão também são dignos de elogio: o rodar estabelece um meio termo entre a rigidez e o conforto.

As irregularidades também são quase ignoradas, com impactos menos sentidos pelos ocupantes, enquanto a carroceria apresenta menor inclinação em curvas.

Como prometido, o silêncio a bordo é outro ponto alto do novo Trailblazer. O quadro de instrumentos é novo e tem visualização mais prática e fácil.

Veredicto

Se antes o Chevrolet pecava no acabamento e na lista de equipamentos, agora tem condições para brigar de igual para igual com a SW4. Basta apenas um bom trabalho de marketing da Chevrolet, que precisará reverter o baixo impacto que o Trailblazer anterior teve.

FICHA TÉCNICA – TRAILBLAZER  
Motor: diant., long., 6 cil. em V, injeção direta, 24V, 11,5:1, 3.564 cm³, 277 cv a 6.400 rpm, 35,7 mkgf a 3.700 rpm
Câmbio: automático, seis marchas, tração 4×4
Direção: elétrica
Suspensão: independente duplo A (diant.), five-link (tras.)
Freios: discos ventilados
Pneus: 265/60 R18
Dimensões: comprimento, 488,7 cm; altura, 184,4 cm; largura, 190,2 cm; entre-eixos, 284,5 cm; porta-malas, 554 l; tanque, 76 l