“Timbuktu” combate estereótipos sobre radicais islâmicos

Longa recria a tomada de Timbuktu (Mali) em 2012. Cidade é um centro de misticismo sufi e foi dominada pelo grupo Ansar Dine que impôs uma rígida lei islâmica.

Los Angeles – Abderrahmane Sissako, diretor do filme mauritânio “Timbuktu”, indicado ao Oscar, disse que o objetivo de seu drama é apenas humanizar o viver sob o radicalismo islâmico, combatendo visões estereotipadas.

O filme recria a tomada da cidade de Timbuktu, no Mali, em 2012. O local é um centro histórico de misticismo sufi e foi controlado pelo grupo Ansar Dine, que ocupou o norte do país e impôs uma rígida lei islâmica.

Intercalada com as cenas da ocupação, o enredo conta a história de um pastor de gado que acidentalmente mata um pescador e não tem direito a defesa alguma nos tribunais religiosos.

“O papel do artista é ser testemunha da vida”, afirmou Sissako à Reuters. “Timbuktu” é a primeira indicação ao Oscar de Melhor Filme estrangeiro que a Mauritânia recebe.

Nas primeiras cenas, rebeldes islâmicos entregam um refém ocidental vendado uns para os outros e discutem o regime médico do sequestrado.

Essa é uma das formas que o cineasta de 53 anos usou para mostrar o lado humano dos jihadistas e das pessoas que eles comandavam com mão de ferro. Ele afirmou que não pretendia caracterizá-los como vilões nem vítimas.

Embora não seja favorito ao Oscar, “Timbuktu” pode se tornar o quarto filme africano a ganhar o prêmio, que será distribuído no dia 22 de fevereiro.

O filme concorrerá com os favoritos “Leviatã”, uma tragédia russa, e “Ida”, um drama de época polonês. Os outros indicados são a comédia argentina “Relatos Selvagens” e o drama de guerra estoniano “Tangerines”.