Sete perguntas para Fernando Lopes, o editor de “A Era do Apocalipse”

Hoje estreia 'X-Men: Apocalipse' e nada melhor que o próprio editor da HQ original para comentar o longa

Na estreia de X-Men: Apocalipse, filme que encerra a trilogia composta por X-Men: Primeira Classe (2011) e X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido (2014), entrevistamos o responsável por A Era do Apocalipse, a HQ que inspirou o longa. Fernando Lopes é formado em jornalismo e trabalha na editora Panini Comics brasileira, sendo responsável pela edição de diversas histórias da Marvel.

  (Créditos: Divulgação/Panini)

(Créditos: Divulgação/Panini) (/)

O filme encerrou bem a atual trilogia?

Não me parece que a ideia seja “encerrar”, ele abre portas para outros filmes. Depois de assistir, você percebe que eles podem continuar por dois, três, quatro ou cinco filmes. Ele encerra bem em si, ele se resolve bem.

Entre as duas trilogias (do começo dos anos 2000 e a iniciada em ‘Primeira Classe’), qual a melhor?

A mais nova é mais consistente. Embora goste muito dos dois primeiros filmes da trilogia antiga, ela acaba ficando inconsistente porque o terceiro não é tão bom. Como um todo, os três longas de agora são melhores.

Os personagens da HQ que não estão no filme (que fazem parte do universo Marvel/Disney) fizeram falta?

Fica um pouco difícil você visualizar, por exemplo, o Mercúrio sem a Wanda, ou o fato de ele estar de um jeito em um filme e aparecer de outro em outra franquia. Ele é outro Mercúrio. Para quem é acostumado com os quadrinhos eles fazem falta, mas para quem conheceu os X-Men no cinema, não.

Wolverine teve um papel importante ou sua participação foi só para dizer que “ele estava no filme”?

Foi bacana a participação. Ela, dentro da trama, não tem uma relevância específica, mas a participação não é gratuita. Fica bem encaixada na história e, no grande arco dos seis filmes, funciona bem. É uma participação melhor que muitas coisas feitas com o Wolverine nos próprios seis filmes.

Fidelidade aos quadrinhos é um ponto delicado. O filme foge da base original? Você acha que algo poderia mudar?

Se você vai ao cinema esperando uma fidelidade aos quadrinhos, especialmente em uma franquia que já se propõe a contar a história de uma outra maneira, você fatalmente vai se decepcionar. Acho que dentro do que já foi feito com a franquia no cinema, da ideia que eles tem para desenvolver isso, foi bem feito.
A esmagadora maioria das coisas não é fiel. É o conceito inicial do personagem, que foi adaptado para aquela situação, então eu acho que se você está vendo um filme, tem que analisá-lo dentro do que foi proposto no cinema, como um roteiro original. Tanto que os personagens existentes nos quadrinhos possuem uma história muito longa, e que transpor isso pra duas horas de filme não é possível. De modo geral, isso foi utilizado com maior ou menor grau de sucesso. Haverão personagens que talvez frustrem os fãs, pois houve uma grande espera para que eles aparecessem e, de repente, eles são, dentro de uma trama maior, coadjuvantes. É lamentável dizer, mas eles são coadjuvantes. Não adianta muito fugir disso.

O quadrinho serve como um complemento ao longa?

Diferente de um complemento, ele tem que ser encarado como uma obra em si. Toda vez que você relacionar as duas coisas e comparar um ao outro, tende a fazer um julgamento exagerado para uma das pontas. Quem vai ao cinema vai para assistir um filme, quer vê-lo funcionar como um filme. Se você ficar procurando “ah, mas naquela história” ou questionar “mas isso não foi bem assim”, você vai se aborrecer. Quem vai ao cinema para se aborrecer não deveria ir para o cinema, deveria ficar em casa.