Sean Penn: “Ainda tenho muitas paixões e aspirações”

Ator é partidário do princípio de não olhar para o passado, já que fazer isso "não adianta nada"

Paris – O ator americano Sean Penn, que estreia esta semana na França “This Must Be the Place”, de Paolo Sorrentino, afirmou neste domingo que a esta altura de sua carreira ainda tem “muitas paixões e aspirações”, e que é partidário do princípio de não olhar para o passado, já que fazer isso “não adianta nada”.

Em entrevista concedida ao jornal “Le Journal du Dimanche”, Penn, que acaba de completar 51 anos, disse que com o tempo descobriu também que se adapta perfeitamente às fases de inatividade e que tem mais paciência que antes, o que para ele é “uma novidade”.

O ator reconhece, no entanto, que deixou de ler todos os roteiros que recebe, para se concentrar “unicamente” em seus amigos, nas pessoas que respeita e que mais gosta, além daqueles que apresentam uma proposta lucrativa.

Penn, que em seu último longa interpreta um velho roqueiro, acrescenta que embora à princípio admire atores como Marlon Brando, Robert de Niro e Al Pacino, se deu conta rapidamente de que não precisava basear sua carreira calcando o comportamento desses mitos do cinema.

“Eu já não tenho mais vontade de fazer filmes copiando outros. Prefiro aprender o que é a prisão indo a uma, ao invés de ver uma produção que mostra isso”, assinalou nessa entrevista, na qual confessa que recebe com boa vontade papéis que representem um desafio físico.

Em sua vida particular gosta, segundo indica, de “pegar o volante e dirigir sem destino”. “É a melhor maneira de se reencontrar”, já que com isso sai da rotina e “amplia seus horizontes”.

“Passo a me sentir mais forte”, relata o também cineasta que, após terminar a gravação de “Tales from the Gangster Squad” em 2012, planeja voltar a dirigir em “The Comedian”, uma comédia “feroz e hilária”, que leu “às gargalhadas”.

Entre um projeto e outro tem sua base estabelecida em Malibu, apesar da constante presença dos “paparazzi” que seguem todos os famosos que moram na região.


“Deveria ter leis que os impeçam de se esconder fora de lugares públicos. Mas ninguém leva em consideração o fato de que os atores são seres humanos que têm o mesmo direito que as outras pessoas, e passem a respeitar suas vidas particulares”, afirma Penn, ganhador de dois Oscar por suas atuações em “Sobre Meninos e Lobos” e “Milk-A Voz da Igualdade”.

“Há uma perseguição declarada contínua”, prossegue. “E quem ousa reclamar é considerado um rabugento que deveria se envergonhar de lamentar a própria sorte”, lamenta o ator. Com relação às novas gerações, Penn disse que fica chocado de ver alguns novatos “se comportarem como se fossem candidatos a um concurso de popularidade”.