Rock e blues perdem Joe Cocker, o cantor da voz rasgada

Cocker nasceu em Sheffield, no norte da Inglaterra, em 20 de maio de 1944 e seus primeiros passos na música foram dados ali mesmo

O britânico Joe Cocker, que morreu nesta segunda-feira aos 70 anos, devido a um câncer de pulmão, será recordado como o intérprete branco com voz e alma de negro por sua forma de interpretar os blues.

Cocker nasceu em Sheffield, no norte da Inglaterra, em 20 de maio de 1944 e seus primeiros passos na música foram dados ali mesmo com apresentações em pequenos clubes de sua cidade natal.

Os ídolos musicais que marcaram sua carreira desde o início foram negros: Ray Charles, Sam Cooke e Aretha Franklin.

Após tocar bateria com os Cavaliers, se tornou o cantor dos grupos Gasborad e de Vince Arnold and the Avengers, com o qual realizou uma turnê na qual dividiu o palco com Rolling Stones, Manfred Mann e Hollies.

Em 1964 gravou seu primeiro single com as canções “Georgia on my Mind”, do mestre negro Ray Charles, e “I’ll Cry Instead”, de John Lennon e Paul McCartney.

Quatro anos depois teve seu primeiro sucesso com a versão de “With a Little Help From my Friends”, também dos Beatles, que lhe colocou nos primeiros postos das listas de sucessos britânicas e europeias.

Mas sua consolidação como cantor chegou com a filmagem de “Joe Cocker e o Grupo da Pesada”, quando iniciou relações com o cinema que se mantiveram ao longo de toda sua carreira e que contribuíram para muitos de seus sucessos mais populares.

Além disso, foi muito recordado como a “voz” de Woodstok por sua participação neste festival em 1969 nos Estados Unidos, três dias de “música, paz e amor”.

Em 1972, após uma turnê de 65 shows em 57 dias pelos Estados Unidos, caiu em uma grande crise pessoal em consequência do álcool e das drogas, que lhe afastou do mundo da canção, até que reapareceu em 1982 com o lançamento de seu oitavo álbum, “Sheffield Steel”.

Mas o retorno definitivo se deu com interpretação de “Up Where We Belong” no filme “A Força do Destino” (1982), cantada em dueto com Jennifer Warnes e pela qual conquistou um Oscar.

Posteriormente completaria seus sucessos cinematográficos com temas como “You Can Leave Your Hat On”, escrita por Randy Newman e interpretada por Cocker em “9 1/2 Semanas de Amor” (1985), e os álbuns “Civilized Man” (1984)) e “Cocker” (1986). Sua canção “Unchain My Heart” coroaria definitivamente sua carreira em 1987.

Depois seguiram “One Night of Sin” (1988), “Joe Cocker Live” (1990) e “Night Calls” (1991), com uma nova versão da canção dos Beatles “You’ve Got to Hide Your Love Away”, além de outras realizadas especialmente para este disco por autores como Prince e Jeff Lyne.

Em 1994 lançou “Have a Little Faith” e mais tarde gravou “Organic” (1996), “Across from Midnight” (1997) e depois “No Ordinary World” (2000).

Em 2003 celebrou seus 35 anos no mundo da música com um álbum duplo intitulado “The Ultimate Collection 1968-2003”, no qual reuniu mais de 30 sucessos de sua carreira.

Seu trabalho seguinte, “Heart and Soul”, chegou em 2004 como um álbum de versões de clássicos do soul, blues e rock das décadas de 60, 70, 80 e 90. Três anos depois gravou “Hymn For My Soul”, coleção de temas com um sabor clássico.

Seus últimos trabalhos foram “Live at Woodstock” (2009), “Hard Knocks” (2010), que incluía nove canções inéditas, a compilação “Icon” (2011), e seu último álbum de estúdio, “Fire it up” (2012).

O músico se destacou também por sua faceta humanitária, contribuindo com sua música a festivais como a homenagem a Nelson Mandela por ocasião de seu 70º aniversário ou a comemoração da queda do Muro de Berlim em 1989.

Nestes últimos anos dedicava especial atenção a sua fundação “Cocker Kids Foundation”, que se dedica à ajuda a crianças e jovens.