Raf Simons dá nova sensualidade à Dior em seu desfile

"Gostei de tudo. Principalmente do trabalho do corte", disse à AFP o estilista Azzedine Alaïa ao fim do desfile de primavera-verão 2013

Paris – Raf Simons prestou homenagem nesta sexta-feira ao espírito Dior, com alusões à tradicional modelagem “bar”, de cintura marcada e quadris levemente amplos, ao mesmo tempo em que mostrou sua própria visão da maison de luxo, com um look estruturado e sensual, focada no hoje.

“Gostei de tudo. Principalmente do trabalho do corte”, disse à AFP o estilista Azzedine Alaïa ao fim do desfile de primavera-verão 2013, atrás do Hôtel des Invalides, em Paris, decorado com a simplicidade de tecidos translúcidos.

O desfile foi um dos mais esperados da temporada antes do início dos desfiles de prêt-à-porter feminino, na segunda-feira, com a passarela do estilista Hedi Slimane para Saint Laurent.

O rapper americano Kanye West viu a coleção de Simons próximo do ator Robert de Niro e do cineasta Luc Besson, que deu uma pausa na filmagem de seu novo longa, “Malavita”. Ao seu lado, o presidente do grupo Dior e do LVMH, Bernard Arnault, acompanhado por uma constelação de atrizes como Ludivine Sagnier e Mélanie Laurent.

No fim do desfile, Raf Simons teve que lutar para não se afogar no mar de flashes e personalidades que vieram cumprimentar o estilista, e se refugiava atrás das cortinas ou aparecendo por dois minutos, se dizendo “esgotado mas contente”.

Em 53 modelos, Simons trouxe de volta o espírito Dior, sem copiá-lo. Os looks “bar”, compostos por saias de cintura muito marcada e quadris amplos estão de volta, mas modernizados para adaptar ao gosto atual. Como em um vestido curto de lã e seda branca de linhas puras, marcado na cintura e ligeiramente aberto abaixo, ou nas jaquetas com plissados delicados.

Para a noite, os vestidos reivindicam o chique parisiense: corpetes de lã azul combinados com tule preto revelando levemente as pernas.


Os minivestidos se ampliam nas laterais com um drapeado leve em vermelho e rosa. O tecido liso, em parma ou rosa, se molda no corpo e decora um short preto. Para a noite, um simples top de malha de seda e cachemira preta deixa o protagonismo para uma saia branco, rosa e azul metálico, decorada por gigantes rosas estilizadas.

“Queria um verdadeiro new look” para Dior, disse o estilista belga em entrevista à AFP, lembrando a modelagem mais famosa da marca. “Queria dar à coleção certo classicismo e um aspecto muito parisiense”, acrescentou.

Simons recusou a fama de “minimalista” e assegurou que esta não é “a única corrente que me interessa”. O estilista preferiu explicar que queria hoje “trazer um tipo de nova liberdade, de nova sensualidade”.

Para Serge Carreira, professor em Ciência Políticas, Simons está “longe de copiar o mestre. Se serve de seu universo e dá uma virada atual. O adapta com rigor, mas sem rigidez”.

A maquiagem veio com bocas levemente rosadas e sombras de tons fortes, como verde e rosa. Nos pés, simples scarpins pretos.

Perguntado sobre o novo espírito da Dior, que se distancia dos anos exuberantes da era Galliano, o presidente da marca, Sidney Toledano, classificou a coleção de “moderna, uma vez que mantém o espírito de feminilidade, de sensualidade de Dior”.

“A marca Dior, desde seu fundador, está em evolução permanente e mantém seus valores (…). Estamos em uma época em que temos que reagir frente às mudanças e dar um passo além. O próprio estilista, como Raf, está sentindo o que as pessoas e os jovens querem usar, o que lhes dará energia”.

“É uma coleção depurada, não minimalista. Não podemos confundir modernidade e minimalismo”, concluiu.

Os desfiles continuam nesta sábado, com Jean-Paul Gaultier mostrando sua coleção no início da noite parisiense.