Quem ganha com a Copa?

Afinal, quem ganha com os grandes eventos esportivos? A pergunta ressurgiu nesta terça-feira, quando a Fifa anunciou a ampliação da Copa do Mundo de 32 para 48 seleções a partir de 2026. A mudança vai exigir o agrupamento dos times em 16 grupos na primeira fase e um calendário com menos intervalo de descanso. Mas vai ajudar a encher os cofres da entidade. A Fifa estima que os lucros por evento devem crescer 640 milhões de dólares.

As mudanças foram anunciadas no mesmo dia em que a crise do Maracanã, palco da final da Copa de 2014 e da abertura da Olimpíada de 2016, ficou ainda mais surreal. O estádio está abandonado, sem energia elétrica e com o gramado em péssimas condições. Nesta terça, a Federação de Futebol do Rio revelou que as dependências foram saqueadas por criminosos, que roubaram até bustos históricos de bronze.

O Maracanã recebeu 1,4 bilhão de reais de investimentos do governo do estado do Rio para ser modernizado nos últimos anos. É administrado pelo Consórcio Maracanã, liderado pela construtora Odebrecht, que, em meio à Lava-Jato, pediu a rescisão do contrato para explorar o local. Segundo o Ministério Público Federal, a reforma do estádio foi uma das principais fontes de propina para o grupo do ex-governador Sérgio Cabral — juntamente com outras três obras, os desvios teriam somado 224 milhões de reais. O governo do Rio negocia com os clubes o desenho de uma nova licitação. Enquanto isso, os clubes marcam jogos do campeonato carioca em cidades de outros estados.

Em Recife, Natal, Salvador, Manaus e Cuiabá, estádios construídos para a Copa de 2014 também estão subutilizados. Em São Paulo, a Arena Corinthians, palco da abertura do evento, foi apontada como inviável por um estudo do banco Itaú BBA. “A arena foi um erro. Claramente um erro”, afirmou Cesar Grafietti, autor do estudo. O estádio custou 1,6 bilhão de reais, financiados pela Caixa e pelo BNDES.

Evidentemente, boa parte das perdas se deve a problemas bem brasileiros, como corrupção, falta de planejamento e megalomania. Mas são marcas cada vez mais comuns na organização de eventos como a Copa — os preparativos do Mundial de 2018, na Rússia, e de 2022, no Catar, também estão envoltos em escândalos. Para a Fifa, pouco importa. A entidade faturou 5 bilhões de dólares no Mundial do Brasil, e afirmou ter deixado 100 milhões “para o desenvolvimento do futebol no país”.