Os métodos para driblar a calvície

Os recursos usados para cortar pela raiz um dos problemas que mais afetam a vaidade masculina, a queda de cabelos

São Paulo – Quando a pia, o ralo do banheiro, a fronha e outras partes da casa de um homem adulto passam a acumular mais cabelos do que o normal, soa o alarme da calvície. No espelho, o que era uma cabeleira farta dá lugar a fundas entradas ou até a um “descampado” mais acima.

Para disfarçar, alguns recorrem a estratégias temporárias, como deixar o cabelo restante crescer para jogá-lo por cima da falha (conhecido pela palavra inglesa “combover”), usar sprays com um pó que dá mais volume e diminui a impressão da calvície, ou recorrer à boa e velha peruca. Nos casos mais extremos, os transplantes capilares e a reconstrução do couro cabeludo são as opções. E nem adianta brincar que “é dos carecas que elas gostam mais”.

Isso porque o motivo principal que leva os homens a buscarem tratamentos é a vontade de parecer jovem novamente. Quem afirma é o cirurgião plástico especializado em microtransplante capilar, Alan Wells. “Basicamente, o paciente vem com o objetivo de melhorar a autoestima. Muita gente até gosta de ficar careca, mas a maioria não”, diz.

Preconceitos

De acordo com o médico, a cirurgia mais feita por homens nos Estados Unidos é a de transplante capilar, o que indica que a vaidade está superando preconceitos. No Brasil, o quadro não é tão avançado, mas Wells acredita que a mentalidade das pessoas em relação ao transplante está mais aberta.

“Há dez anos, nós poderíamos dizer que havia mais preconceito, mas hoje isso não acontece muito”, afirma. Tanto que vários famosos têm assumido que passaram pelo processo. Alguns exemplos são o jogador Wayne Rooney, do Manchester United, o apresentador Gugu Liberato e os atores Brendan Fraser e Marcos Pasquim.


Parte dessa mudança é devida ao fato de que a tecnologia desse processo cirúrgico evoluiu bastante nos últimos anos e, agora, há métodos que evitam que a pessoa fique com o chamado “cabelo de boneca” ou de “canavial”. Um deles é o chamado microtransplante, em que, em vez de implantar tufos em regiões espaçadas na cabeça, cada unidade folicular (unidade mínima capilar) é lapidada e inserida uma a uma nos poros, para dar um aspecto natural.

Por usar como base os fios da nuca e da parte de trás da cabeça do paciente, que em geral não possuem a genética da calvície, o médico Alan Wells afirma que os cabelos transplantados tendem a não cair mais. Em uma cirurgia, que pode durar de seis a oito horas, são colocados no mínimo 5.000 fios, tudo isso com anestesia local. O tratamento custa de 10.000 a 20.000 reais e não é indicado para quem tem menos de 25 anos.

Prevenção e tratamento não cirúrgico

Quem não tem interesse em fazer o processo cirúrgico tem ainda a opção de tratamentos de prevenção e de reconstrução capilar, como fez o empresário bilionário Eike Batista. De acordo com Ana Maria Ventura, diretora comercial da clínica Tricosalus, onde Eike fez o tratamento, a prevenção envolve exames clínicos para saber as razões da queda dos cabelos e uso de shampoos, loções e ampolas que são indicados especialmente para o tipo de problema do paciente.

Além disso, ainda há o processo de peeling capilar, para desobstruir o couro cabeludo e deixar que os fios cresçam melhor. Essa prevenção custa a partir de 7.200 reais e é feita em 12 sessões. Para os que já estão carecas ou têm falhas definitivas, ela sugere a reconstrução capilar.

Sem envolver cirurgia, o processo requer testes de alergia e exames para leitura da conformação craniana para tratar quimicamente a pessoa. O preço gira em torno de 30.000 reais. Por não ser cirúrgico, esse método atrai não apenas homens, mas mulheres com o mesmo problema. “Perder os cabelos, principalmente para a mulher, é uma mutilação. A pessoa tem que cuidar deles”, afirma.